#3 Edição/cinema

Tiradentes 2014 e o Cinema Brasileiro Contemporâneo – Parte II

Homenagem: Marat Descartes

A homenagem a Marat Descartes na abertura foi bonita, rodeado de amigos e familiares Marat ficou emocionado. Eu não conhecia o trabalho do ator, mas o filme de abertura foi suficiente para dar razão à homenagem. No decorrer da Mostra outros filmes com Marat foram exibidos, assisti mais um, que confirmou o grande ator que ele é.

Quando Eu Era VivoMarco Dutra

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Com uma atuação incrível de Marat Descartes, o filme ainda teve uma atuação segura de Sandy Leah e uma história surpreendente. Trazendo o suspense e um pouco de terror para o cinema brasileiro, o longa conta uma história que gira em torno de um pacto com o diabo, mas chega a isso com calma, numa progressão de imagem e sentimento. De início, vemos um filho divorciado (Marat Descartes) voltar para a casa do pai (Antônio Fagundes) por alguns dias. Mas aos poucos ele vai ficando lá e, obcecado pelo passado e pela mãe já falecida, começa a resgatar tudo que o pai havia escondido sobre ela, trazendo à tona a carga demoníaca do filme.

A história é muito bem construída e atravessa uma progressão, demonstrada através da mudança do apartamento, contra a vontade do pai, e também pelo personagem de Marat, aos poucos dominado pelo diabo. Apresentando uma leve comédia, muito bem encaixada, e um trabalho de som muito bem utilizado, ressaltado na montagem, o longa é um belo trabalho de gênero, realizado através de um roteiro muito bem construído. Ou seja, um filme de estilo clássico, bem feito, que consegue prender o espectador com uma ótima história.

Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa – Gustavo Galvão

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Aqui vemos um Marat completamente diferente, em outra grande atuação, trazendo um clima de desleixo e comédia, em contraposição ao suspense e a tensão no filme anterior. Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, como o título já pode sugerir, é um roadmovie clássico, percorrendo as estradas do interior do Brasil sem um destino definido. O filme surgiu diretamente de uma inspiração beatnik, tendo o título saído do poema Uivo de Allen Ginsberg, e o livro On The Road servido também como guia para o espírito das situações.

Apesar de ter um personagem principal entristecido (Pedro), diferente de outros entusiasmados com a estrada, o filme consegue formar uma boa dupla entre ele e o personagem de Marat (Lucas), que nos proporciona ótimas falas, entre elas a reflexão de que “família é uma droga pesada”. Gustavo Galvão constrói boas cenas, repletas de mise-en-scène, mostrando uma essência exposta antes da sessão, quando o diretor disse que apesar desse ser seu segundo longa, foi com esse roteiro que ele confirmou seu desejo de fazer cinema. Acompanhado de uma boa trilha sonora, protagonizada por um sax suavemente desafinado que compõe o ritmo dos personagens, o filme segue através das dúvidas do protagonista, contrapostas por Lucas, e consegue nos mostrar um outro tipo de reflexão, por estar apresentando personagens na casa dos 30 anos e não jovens, como normalmente são os que resolvem fugir pela estrada. Da mesma forma que transcorre, o filme acaba na estrada, e não de volta pra casa com reflexões decididas.

O Homem das Multidões – Marcelo Gomes e Cao Guimarães

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Em um seminário dedicado ao tema principal da Mostra, Cao Guimarães inspirou muitos ao falar um pouco sobre seu processo de criação: bastante livre e revelador. Contou, por exemplo, como eram as dinâmicas de filmagem em Andarilho (2007), que incluíam a equipe viajando num carro, indo e voltando para recolher imagens, e em A Alma do Osso (2004), falando das descobertas durante a filmagem. Ou seja, são filmes feitos sem roteiro, com uma equipe muito reduzida, num processo de entrega à experiência de realização. Como Cao disse, normalmente faz seus filmes sempre longe de casa, pela estrada, em viagens, longe de um cotidiano. Agora, em seu último trabalho junto com Marcelo Gomes, aconteceu exatamente o contrário. Não só o filme é uma produção muito maior e mais planejada, como foi filmada em Belo Horizonte, na cidade do diretor.

O Homem das Multidões foi amadurecendo durante anos e teve como ponto de partida um conto homônimo de Edgar Allan Poe. A união de Marcelo Gomes e Cao Guimarães traz para o filme uma estética nova, começando pelo formato da tela. Em vez do formato retangular mais convencional, nos deparamos com um quadrado, bem pequeno, que pelas bordas e fotografia, lembra ao mesmo tempo polaróides e o instagram. Isso já diz bastante sobre o filme, primeiro por que ele trata da solidão, portanto, o quadrado deixa os personagens mais fechados em si, segundo porque ele trata de dois tipos diferentes de solidão, a de Juvenal (Paulo André) que é mais orgânica e apesar da solidão gosta de estar no meio da multidão, e a de Margô (Silvia Lourenço) que é virtual, uma solidão compensada por meios eletrônicos, sejam eles de entretenimento ou de relacionamentos. Dito isso, esse é um filme de silêncios, é através do silêncio que acompanhamos a história, os momentos de falas não se desenvolvem muito, são travados, e realmente é o silêncio que fala mais, como numa cena maravilhosa de Juvenal e o pai de Margô no casamento dela, com um homem conhecido através da internet.

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Cao diz ter aprendido com Marcelo a importância de uma dramaturgia melhor elaborada, a escrita de um roteiro como base, um certo nível de planejamento. Marcelo diz ter aprendido com Cao a atenção aos detalhes e o improviso, a descoberta de uma dramaturgia na imagem. Certamente os dois aprenderam muito um com o outro e o mais importante, conseguiram construir um filme com todas essas características, da experimentação à dramaturgia. O Homem das Multidões acaba formando uma trilogia de Cao Guimarães sobre a solidão, sendo os dois outros filmes A Alma do Osso e Andarilho, que de outras formas, também tratam desse tipo de personagem. Englobando, portanto, da era analógica à digital, o filme consegue, através do silêncio (que em alguns momentos são até constrangedores), transmitir esse sentimento com um ótimo final, utilizando uma metáfora, acompanhada de uma bela canção de Gilberto Gil.

Paixão e Virtude – Ricardo Miranda

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Ricardo Miranda também participou de um seminário, onde nos apresentou como principal idéia a de que o processo criativo deve escravizar a produção e não o contrário. Fez questão ainda de ressaltar que cinema é arte e não negócio; negócio é apenas depois, quando é preciso negociar pra conseguir exibir seu filme 1 hora da tarde no arteplex. Antes do seminário Ricardo já havia falado de seu novo filme em um debate após a sessão. Segunda parte de uma trilogia, que tem como primeiro filme Djalioh (2011) e o terceiro já concebido pelo diretor, Paixão e Virtude é um filme sobre a palavra, como ele mesmo ressaltou. Ricardo contou um pouco sobre seu processo de criação, que inclui uma vasta leitura antes da escrita do roteiro e, mais tarde, muitos ensaios antes das gravações. Através dessa leitura a priori, que acarreta em referências bibliográficas nos créditos finais, Miranda chegou a Flaubert e foi através de um conto dele, que dá título ao filme, que realizou sua experiência com a palavra.

No filme, os atores são responsáveis não só por dizerem suas falas como também as do narrador, a maioria diretamente extraídas do conto de Flaubert. Para isso é construída uma cuidadosa mise-en-scène onde os atores param a conversa e olham para a câmera quando dizem as falas de narrador. Apesar do filme seguir uma narrativa linear, sem grandes variações, alguma confusão está presente nas cenas que faz o espectador ficar com a atenção redobrada. Ricardo fez questão de dizer que não lhe interessava um filme com confusões narrativas, pois seu desejo era que o espectador pudesse acompanhar a história sem problemas, porém, algum artifício ainda é usado, através dos atores. Foi a partir daí que no debate após o filme, Ismail Xavier decidiu fazer uma sugestão. Nos créditos finais aparecem os nomes dos atores e dos respectivos personagens, definindo justamente o que não é óbvio durante o filme. Ismail sugeriu que, em face da riqueza da obra e das possibilidades que ela oferece, não se definisse no final o papel de cada ator, que aparecesse simplesmente uma lista com o nome dos atores, sem os personagens. A sugestão foi prontamente aceita por Ricardo, que apresentava em seu sorriso uma mistura de intenções artísticas e um “você tem razão”. A idéia de Ismail é realmente pertinente pois por mais que o diretor tenha suas intenções o filme pode ser interpretado de diferentes formas, como foi o meu caso por exemplo. Mesmo assim, esse é um tipo de filme mais profundo do que uma primeira impressão.

Passarinho Lá de Nova Iorque – Murilo Salles

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Passarinho lá de Nova Iorque é o cinema sobre o cinema, aquele filme que fala sobre um filme, no caso um documentário que acompanha um cineasta na realização do seu trabalho. O cineasta-personagem é Cícero Filho, de Poção de Pedras no Maranhão, uma pessoa extremamente amável e alegre que está se esforçando para regravar uma cena de seu novo filme. O cineasta-diretor é Murilo Salles, que enxergou na paixão e empenho de Cícero – e nas dificuldades – uma história a ser contada.

O filme começa e termina no ambiente principal da história, a casa onde Cícero mora com familiares e enfrenta as dificuldades de nenhum orçamento e uma produção caseira para realizar seus filmes, que são obras que exaltam o regionalismo, tanto na estética quanto no conteúdo. Cícero faz seus filmes, passa nas escolas, vende DVDs por 15 reais, e segue tentando colocar suas idéias em prática. O que é marcante no personagem é o tamanho bom humor e alegria que ele encara as situações. E é interessante observar, no final, quando Cícero está tirando fotos para o pôster do filme, a quebra que há entre a pessoa bondosa e o diretor exigente, algo de certa forma normal.

Mas o que me chamou mais atenção no filme não foi exatamente a história sendo contada, que é interessante, mas sim o filme que conta essa história. Ou seja, o filme nos mostra a história de Cícero e sua batalha por realizar seus filmes, mas para registrar isso outro filme foi feito. Uma cena exemplifica a questão: quando Cícero está desesperado atrás de uma câmera, pois devido a imprevistos está sem uma para filmar, há uma câmera ali filmando ele. Esse tipo de situação me intrigou e é claro que não estou aqui querendo dizer o que devia ser feito, afinal de contas o filme de Murilo trata disso, se ele arranjasse uma câmera para Cícero estaria interferindo na história que queria mostrar e não era essa sua intenção. Apenas fiquei mais curioso e interessado nessa relação do que propriamente na história do filme. A questão não é uma intervenção propriamente dita, mas essa relação de um cineasta com dificuldades e outro fazendo um filme sobre ele. Quem sabe, se o final do filme fosse uma coletânea de terceiras imagens, as que mostrassem Murilo filmando Cícero, e então, dependendo da seleção (e do material) elas trariam um pouco disso e talvez uma reflexão maior do que as risadas que a história proporciona. É claro que essas vertentes dependem de intenções, Murilo fez seu filme, e seria outro filme se houvesse mais essa camada metalingüística. Não conheço Murilo Salles nem seu trabalho, tampouco sua relação com Cícero, por isso essas são apenas minhas impressões e um pouco de curiosidade. Afinal, se me lembro bem, Cícero ainda não havia conseguido finalizar seu filme, mas Murilo estava apresentando um filme sobre ele em Tiradentes.

Operação Sonia Silk

A Operação Sonia Silk é um projeto inspirado na produtora Belair, de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, que nos anos 70 produziu vários filmes em um curto espaço de tempo, com baixos orçamentos e uma equipe de amigos. Sonia Silk, que dá nome à operação, é personagem do filme Copacabana Mon Amour (1970) de Sganzerla. A proposta, que surgiu através da produtora DAZA e reuniu os cineastas Bruno Safadi e Ricardo Pretti, não era imitar a produtora dos anos 70 nem seus filmes, mas sim partir desse espírito para tentar realizar filmes de forma cooperativa com um orçamento reduzido. Outro foco principal na proposta era permitir uma experimentação de linguagem. O projeto contou com diversas parcerias e a participação das atrizes Leandra Leal e Mariana Ximenes, a primeira faz parte da produtora.

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Foram gravados em duas semanas três longas: O Rio Nos Pertence de Ricardo Pretti, O Uivo da Gaita de Bruno Safadi, e um terceiro filme que terá direção dos dois e está em processo de finalização, chamado Meta Mancia, que será uma espécie de registro da Operação. Os dois filmes são bastante semelhantes nessa proposta de experimentação da linguagem, contudo, o primeiro tem uma energia mais pesada e o segundo mais sensual, mas os dois, em seus poucos 75 minutos, utilizam bastante da trilha sonora e imagens bem trabalhadas. O Rio Nos Pertence me pareceu não desenvolver muito uma premissa com potencial, foi sufocante em seu clima pesado com uma trilha sonora que chegava a incomodar de tão intensa. O trabalho imagético foi tecnicamente bem realizado, mas não me transmitiu uma carga emocional. O Uivo da Gaita, na minha opinião, teve maior êxito com as imagens e conseguiu desenvolver mais a proposta, mas mesmo assim lembrou o primeiro filme numa das cenas finais, utilizando exageradamente o som. Essa ideia de experimentação acabou me parecendo mais forçada do que natural, talvez apenas opinião minha, mas os filmes não me passam a força imagética que propõe, e ainda se utilizam do som de uma forma que oprimi ainda mais essas imagens.

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A questão que enxergo nesses filmes é que, apesar da inspiração no Cinema Marginal da década de 70, não conseguiram atingir um espírito similar. Afinal de contas estamos em outros tempos e a espontaneidade daquela época deu lugar a uma pré-produção muito elaborada para que o projeto fosse possível hoje. No caso, os dois filmes de agora tem uma técnica impecável, o que faltava nos anos 70, mas não enxergo neles o espírito que os inspirou, algo como o que Tonacci falou sobre a relação com o processo, talvez aqui tenha prevalecido os cineastas ao invés dos seres humanos.

Outros filmes

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Se Ricardo Miranda fez um filme sobre a palavra e não queria confusões narrativas, Exilados do Vulcão de Paula Gaitán é praticamente o contrário. Com apenas uma fala e algumas narrações, o filme se concentra nas imagens para contar uma história de forma extremamente confusa, com idas e voltas, diversos cenários, personagens e poucas explicações, o que acarretou em muitas desistências durante a sessão. Achei o filme instigante e as imagens muito bonitas, me lembrou outros filmes como A Árvore da Vida, e Mr. Nobody, apesar da diretora não declarar nenhuma influência específica.

Rio Cigano de Julia Zakia começa de forma bastante normal, mas a virada para o 2º ato transforma o filme e entra numa intensa jornada de magia e ciganos que foge de qualquer normalidade. Esse filme desenvolve a abordagem sobre ciganos que Julia já vinha tratando em outros trabalhos.

Amor, Plástico e Barulho de Renata Pinheiro é mais um bom filme vindo de Pernambuco, contando a história de duas mulheres, uma em ascensão e outra em decadência na música brega.

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Foi interessante ver uma comédia no meio dos outros filmes de Tiradentes, mas Aliança de Gabriel Martins, João Toledo e Leonardo Amaral, apesar do inicio bom, logo se perde em piadas fracas e no mesmo besteirol de sempre.

Curtas

EAlexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos

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Da sinopse: Estacionamento. Es-ta-cio-na-men-to. Do latim, statio. Ficar de pé, ficar parado. Se o título não diz muita coisa, a sinopse sugere, mas mesmo assim não deixa saber, instiga. O filme é quase como a sinopse, didático, nas imagens e nas falas. De uma qualidade extraordinária, E, documentário sobre estacionamentos, é brilhante. É através de uma construção visual primorosa e de falas e depoimentos certeiros (todos em off) que E foi certamente um dos melhores filmes da Mostra (incluindo curtas, médias e longas-metragens). O curta tem ideias ótimas, como as entrevistas “recolhidas” com um gravador ou a utilização de imagens do googlemaps. Também conta com uma técnica cuidadosa, na composição de cada plano, na montagem mostrando calmamente o que se quer e no belo trabalho de som, exagerando alguns ruídos e adicionando outros para compor momentos específicos. O filme, que trata do universo dos carros e não só de estacionamentos, nos mostra diversos tipos destes, que vão desde um terreno baldio, passando por uma casa com um terreno grande, até um ex-cinema, agora tomado por carros. Mostra também um edifício-garagem, já conhecido, mas chega ao clímax quando conhecemos um outro tipo de elevador para carros, dessa vez particular. Simples e calmo, de forma didática como a sinopse, o filme nos mostra os carros que estão tomando as grandes cidades, de forma belíssima e muito bem desenvolvida.

VailamideusTiciana Augusto Lima

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Simples e sincero, esse filme também se relaciona com sua sinopse: Festa em família. Da mesma forma que as poucas palavras, o filme é composto de apenas dois planos estáticos, e é exatamente isso o necessário para prestarmos atenção. Primeiro num plano mais aberto, em que diversos integrantes da família intercalam tirando foto com a avó que está sentada numa cadeira, depois um plano mais fechado, no rosto da avó, enquanto toca uma música ao fundo. A interpretação depende de cada um, para mim, o curta é a explanação de uma festa de família, onde a avó é tratada como um monumento.

Eva Maria – Rafael Antonio Todeschini

Eva Maria

Eva Maria é um curta experimental que consiste em um plano sequencia de trás pra frente. Inspirado num mito da praia do Mosqueiro em Aracajú, o plano mostra uma mulher de branco chupando um picolé, na verdade, no início é apenas o palito, aos poucos o picolé vai surgindo e percebemos que o plano está de trás pra frente; depois aparece o vendedor de bicicleta e o curta termina com ele indo embora. O plano sequência é muito bem feito e planejado, considerando que depois ele ficaria de trás pra frente e que a bicicleta anda pra frente e não pra trás. Sim, o espectador chega a ficar meio confuso, mas a imagem é hipnotizante. A proposta é a experiência de ver, não vale a pena explicá-lo.

Conversei com a montadora do filme, Mônica Frota, sobre a realização daquele plano, fiquei fascinado em saber mais sobre ele. Ela me contou que foram gravados 13 planos dos quais 10 foram logo descartados. Ressaltou também a importância da trilha sonora, minuciosamente feita para o filme. Depois mostrou um incomodo com algumas tremidas na filmagem, inevitáveis pela falta de dinheiro para uma steadicam. Ao meu olhar cinéfilo, não técnico, aquilo não incomodou e ela ficou muito feliz em saber isso, depois saiu correndo no meio de uma frase para pegar a próxima sessão.

Brasil – Aly Muritiba

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E os frutos cinematográficos das manifestações começam a surgir. Aly Muritiba não ousou muito, se contentou com o mais simples e simbólico, não quis tomar um lado e nem mostrar muitas consequências, apresentou apenas o embate, com as peculiaridades do nosso país. O curta tem uma pequena introdução, mostrando dois irmãos em casa, se arrumando para sair, o mais velho é policial e está indo pro trabalho, o mais novo tem um estilo punk e não diz para aonde vai. Após essa contextualização dos dois personagens, o curta utiliza diversas imagens da internet das manifestações junto com planos mais fechados do personagem mais novo. A montagem é muito bem realizada, intercalando as imagens reais com as do personagem, a cena tem uma progressão perfeita, desde os gritos até um estopim que causa a confusão e o enfrentamento de manifestantes e policiais. E é justamente nesse enfrentamento que Aly escolhe se concentrar, o filme acaba simplesmente com os dois irmãos se encarando, um com uma arma e o outro com um coquetel molotov.

Nascedouro – Bernardo Teodorico

“E foi assim, ao despertar, que minha mãe conheceu meu pai.”

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Doentio para alguns, talvez uma poesia pornográfica para outros, esse curta já chama atenção em sua sinopse, que na verdade é o fechamento do filme, numa frase que acaba por amarrar as imagens que acabamos de ver e, para alguns, assustar mais ainda. Junto com a frase principal, o título do filme também se relaciona às imagens, trazendo mais sugestões. O curta é uma união de elementos imagéticos que só se completam com a frase final. O filme se propõe a isso, uma sequencia de imagens com uma alta carga estética e a união delas pela frase no fim. É extremamente sugestivo e controverso, por envolver masturbação, esgoto, morte, esperma, mãe e pai – quase nessa ordem.

Parque Soviético – Karem Black

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Essa foi a terceira vez que assisti a esse filme. Depois de decepcionante no Festival do Rio e de um segundo olhar no Curta Cinema, essa terceira vez consolidou o curta como um bom filme para mim. Através do cenário, utilizando um diálogo simples, com algumas boas sacadas e uma estética em preto e branco condizente, a sinopse traz a ideia principal do filme que fala sobre relacionamento: Amor é guerra fria.

 

Vitor Faria, fevereiro 2014

 

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