#19 Edição/poesia

Mareorama

occipitais
escápulas
clavículas
plexos
solares

uma coluna tão reta
às 11 da manhã
numa praia deserta
porque é dia de semana
é um convite a matar
todas as aulas

de antropologia
poesia, salsa e sobretudo língua
e cognição –

uma coluna tão reta

torta

sobre as rochas

metamórficas

do arpoador

ouço estalar o osso

semilunar e depois

todos os outros

sais
com os brincos azuis que comprei no méxico
e o cachecol de cogumelinhos de 5 libras

olho
de manhã el nido:

o edredom retorcido e no sulco
do filtrum

uma notícia boa.

releio o poema do Eucanaã
e é simples: eres mi sol

colho
do girassol da janela duas
pétalazinhas que caíram da noite
passada e meto dentro do livro

tem um asteroide com teu nome e não é à toa
tem um asteroide uma balsa um foguete e nada disso
é à toa

o amor é a vontade de entrar no pedalinho, disse o menino
porque a gente já sabe o que tem no centro da lagoa e mesmo assim

a mermaid found a swimming lad, disse o homem de binóculos,
o rei absorto

e foi e tirou a sua minha-chave azul do chaveiro

o gesto semi-aquático
de devolver as chaves da casa de alguém

a menina disse de uma balsa de crânio de pato em Roraima
e isso basta

Catarina Lins, junho 2015

 

…………………….

Um pensamento sobre “Mareorama

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