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poesia contemporânea brasileira

canoagem de papel, segundo Tia Tê

Tia Tê tem uma pele preta perfeita e os olhos fundos de ressonância schumann que ditam a frequência e o ritmo dos dias ouvi dizer certa vez de um belorizontino que no nordiminas há ressonâncias capazes de provocar interferências nos aviões pensei nos olhos de nuvem funda de Tia Tê

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Sonetos

Soneto nº1 Ferro, te quero assim: dourado e vário reflexo da terra, mineral. Fosso fosco, fixo e absorto – o contrário do oco: outro. Toscotorto, passível. Nexo árido, esparso. Contido? Natural e unívoco: ferro, lavra bruta. Axioma precário da lida, pergunta. Núcleo utilitário da poeira enxuta, lucro. O barroco duro,

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A fruta sem-nome (o brilho do sol)

para cafi, a primeira pessoa que vi morrer Aqui a quimera, mera flor do êxodo, o doce oceano da dúvida, vida. Ali o ali – mento todo, o doido doído do ódio, o dia adiado do amor. A morte súbita e tão cruel do medo, o corte abrupto e tão

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Viver

Viver, e só viver, O primeiro e último passo, o mesmo. Viver, então ceder – vontade é coisa que dá e passa. Passou: um pássaro pousou e morreu. Viver, e então morrer, como o pássaro. Desejar? Uma criança que chora: de fome, de sono, de valentia. Saber: um amor pode

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foram os surubins a inaugurar a oralidade

I. estranhas as tilápias no teu rio, matutas. este tambaqui não é daqui, bem sabes. II. ao abrir o rio com as têmporas sentes areias, fluxo exógeno de mexilhões-zebra. III. queres mergulhar na noite, beber pirás e estrelas. navegas no céu noturno, cheio de fonemas. IV. também tu és peixe-lanterna

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poema escrito após um ano sem escrever poemas

cogumelos dissolvem na viagem lúdica a solidão residente na vontade de viver. vontade de viver é hoje uma expressão canhestra, assim como hoje é canhestra a palavra canhestra e o amor romântico.   sozinho gosto mais de ouvir joão gilberto do que acompanhado, pois sozinha é a voz – sempre

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Casa das Máquinas

A lâmina deitada – tipicamente aço – perfura o gentílico das névoas, fomenta crenças no sermão da impossibilidade – ali está o cristo enfraquecido, aberto por detrás da mão de deus.   Nós, pequenos habitares entremontes, olhamos ao redor e padecemos de Oeste, vamos aceitando a inação, a tenra terra

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No fundo

No fundo, cada gesto performa uma espécie de palavra, uma noite quente e estrelada, o canto dos pássaros, os carros passando na rua, pessoas nos karaokês, as mãos da amada no rosto, o abraço na noite, o aconchego do colo, o piscar – ou mesmo a falta – dos olhos…

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A casa não cai

Se carrego a casa nos braços Se carregamos a casa nos nossos braços Se carregamos a casa no nosso abraço A casa não cai Mesmo atravessando a cidade Sinais abertos, fechados Pernas apressadas Cansadas Carros, corpos em trânsito Quero chegar em casa Ônibus lotado Passei do ponto Balança mas não

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