#29 Edição/poesia

Corpos onde a cidade se repete

Corpos onde a cidade se repete:
(depois
de derramar antigas bocas sobre outra água):

quase
elidem alguns órgãos alarmados

— em meio às ferragens —

no
casulo do calendário?

contaminamos
um
espelho com a casa que nos propaga:

(sob
sua solidão):

contaminamos
um
desejo com a fala que nos escava

— cotidianamente —

deitar
entre as horas
na
areia da íris:

forrando
as fissuras que infestam minhas asfixias:

aceito o silêncio que se dispersa (que nos espalha)
sempre
pelas paredes — nas escadas; nas encostas —

do
diafragma: até um ritmo me receber:

também
quem sabe ao largo — sobretudo ao largo —
desta
última inexistência;

apesar
da
ferida no fundo

do
olho

frio:

há manhãs — sucintas —
em
que excedemos o tempo:

apenas
despejando alguma dúvida

entre

migalhas
de
medula

— lembra? —

reacenderemos
o
sismo que aos poucos

desocupa

a
massa

ocular:

(para
talvez recolher o calor
de
seus escombros):

na
borda da afasia;


quase fora
da
afasia:

começa a transfiguração — a transposição —
das
sílabas: (aqui):

começa
a transmissão — espontânea —

das pupilas;

numa
noite de repente

concisa?

procuro
aproximar o rosto do que não é ainda língua:
(do
que não é mais língua):

após
outro princípio

— claro —

de
proliferação?

nasce: em mim: por mim: contra mim:
um
gesto anfíbio — frente a qualquer insuficiência —

roer
relâmpagos;

até o talo:

carregando a memória — exigente —
dos
dias em que ressuscitamos:

(ao
enfim desistir
de
relatar?):

alavanco
a garganta de uma imunidade

estranha

aos
mínimos estilhaços
em
nossos labirintos

— enquanto
alguns desamparos se afastam da apatia —

os mares a que ainda nos doamos;
todos
esses mares — onde logo convalesceremos —

aguardam
outra indeterminação (outra deterioração)

inaugural:

aderindo
a uma anemia

limítrofe?

não
venho fechar palavras

sobre

os
poros — entre pânicos —

dentro

de
pedras:

um novo rumor aloja (acidentalmente)
esta
respiração provisória

— drenando
os sinais da distância que me dissolve —

rente
ao
rosto:

movemos
uma
imensa necessidade
de
enigmas

Casé Lontra Marques, julho 2016.

 

…………………….

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