literatura / poesia

pequena história mental nº42

pequena história mental nº42

por Antonio Rodrigues

 

meu segredo é não reclamar de nada
é seguir a vida
como a vida é
os outros que me perdoem, as mulas que me
abençoem
são nossas as nossas dores
eu que não sei dizer
se aquilo que vi se aquilo que sei
não sei mais
o que dizer se aquilo que não vi nem
sei pode ter pode ser o privilégio de
mim
aqui onde se faz onde se paga mas não sei
quanto a alguns quanto a muitos
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei

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dois poemas de Matheus Mendes
poesia

dois poemas de Matheus Mendes

Queima Nacional

por Matheus Mendes

 

Canta a Deusa às Musas invertidas
A cólera de Lethes, a moderna filha:
Museográfica flama, ars do passado,
Da ruína da história, um esquecimento
Da Memória. Musa chorada sob fina chuva
Em pira melancólica que fabrica a imagem
Nua de um edifício sedimentado pelo barro
Movente da chama. Se chamado o Verbo, a Ira
De Ares, mártir das mínimas e simplórias
Tragédias humanas. Mítica ode que Luzia
Em final silencioso os estalidos consumidos
À cova rasa desse segundo genocídio,
A convivência com o passado (um estampido)

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Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba
pensamento / poesia

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo

por Priscila Alba

 
Nada-menino, uma vez era. Nada, na medida em que passava e engrandecia, sentiu-se sozinho, quis conversar. Quis conversar, mas percebeu que ele, Nada, sozinho estava. Indagou:

– Por quê esta solidão?

Nada pensou e, ao pensar, concluiu:

– Se me chamo Nada e me sinto sozinho, procuro alguém e não acho… Creio que, outro Nada, não deve haver. Continue reading »