Conversa nº4 – Adelaide Ivánova
entrevista

Conversa nº4 – Adelaide Ivánova

Conversa nº4: Adelaide Ivánova

 

esta entrevista foi feita em dois dias diferentes, com pouco mais de uma semana de diferença entre eles. no dia 31 de julho de 2018, ano da morte de marielle e da queima do museu nacional, encontrei adelaide ivanova em berlim, onde tinha ido para visitar minha mãe. no dia mais quente do ano, fomos, junto com naomi baranek e victinho vasconcellos, ao krumme lanke, um famoso lago da cidade, e talvez o mais agradável de todos. sentamos na areia e, depois de um mergulho, começamos a conversar.
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poesia

Alguns poemas

Alguns poemas

Por Gabriela Perigo

 

sem internet na cidade capital do sol. com chuva. há dias. organizar os pensamentos questão de v1d4 ou morte. sob risco. apalpar as urgências, mesmo criá-las novas e de novo. a cabeça debaixo d`água numa piscina azul que reluta aceitar a condição de bacia e transborda. as bordas. mais de 1 minuto debaixo dágua tentativa e erro. submersão abrutalhada respiração feita do parto escute – o som é iletrável – puxe o ar com força e susto-agora. impressão de nascer de novo sob o contorno de outras águas. Continue reading »

literatura / poesia

pequena história mental nº42

pequena história mental nº42

por Antonio Rodrigues

 

meu segredo é não reclamar de nada
é seguir a vida
como a vida é
os outros que me perdoem, as mulas que me
abençoem
são nossas as nossas dores
eu que não sei dizer
se aquilo que vi se aquilo que sei
não sei mais
o que dizer se aquilo que não vi nem
sei pode ter pode ser o privilégio de
mim
aqui onde se faz onde se paga mas não sei
quanto a alguns quanto a muitos
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei

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dois poemas de Matheus Mendes
poesia

dois poemas de Matheus Mendes

Queima Nacional

por Matheus Mendes

 

Canta a Deusa às Musas invertidas
A cólera de Lethes, a moderna filha:
Museográfica flama, ars do passado,
Da ruína da história, um esquecimento
Da Memória. Musa chorada sob fina chuva
Em pira melancólica que fabrica a imagem
Nua de um edifício sedimentado pelo barro
Movente da chama. Se chamado o Verbo, a Ira
De Ares, mártir das mínimas e simplórias
Tragédias humanas. Mítica ode que Luzia
Em final silencioso os estalidos consumidos
À cova rasa desse segundo genocídio,
A convivência com o passado (um estampido)

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Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba
pensamento / poesia

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo

por Priscila Alba

 
Nada-menino, uma vez era. Nada, na medida em que passava e engrandecia, sentiu-se sozinho, quis conversar. Quis conversar, mas percebeu que ele, Nada, sozinho estava. Indagou:

– Por quê esta solidão?

Nada pensou e, ao pensar, concluiu:

– Se me chamo Nada e me sinto sozinho, procuro alguém e não acho… Creio que, outro Nada, não deve haver. Continue reading »