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poesia brasileira

História da sexualidade

talvez mandar um texto pra revista Usina seja isso mesmo, uma maneira de obrigar as pessoas a lerem um texto meu, de deixá-las curiosas com o que tenho a dizer, por mais que eu escreva por aí, e insista em praticar esse exercício, por mais que eu me dobre ao

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Transmigração

I. Vide o fato da grandeza: não posso transmigrar o que me sonha a beleza. Mas supondo que a posso, qual seria essa beleza que tanto tento e endosso? Penso que saudade da morte não seria, nem o transmigrar de uma vida com sua sorte. Pois a beleza é harmonia

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Fronteiras serão sempre lembradas

Fronteiras serão sempre lembradas entre cruzes do espírito sempre outro de tua natureza serão riscadas no emaranhado do por vir, que comunica.   *** Este poema faz parte da série Atmosferas

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ritual de vida para a morte

Crucial o momento em que fazer sentido já não faz sentido aquele instante em que de madrugada, o vento nas árvores – e o que mais? só isso (penso que devo ter morrido). hum? Que me diz desse momento – em que se intui que melhor seria fundir-se às coisas

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O anel de vovó

Saiu no jornal: três corpos morreram no Rhône ontem, e talvez um pouco hoje, não sabemos com certeza, porque falta aparecer um. Este que sumiu talvez esteja ainda vivo, mas só um pouquinho. Meditando entre as algas, ele guarda um restículo de ar nos pulmões, como quem esconde, em segredo,

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Conversa

elisa tomou o choque

paulo se enforcou no prego

eu permaneci na minha
nem tudo se resolve

não quero te dar a dica

é claro que me comove

estilhaçar­-se todos os dias

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quem tem ensinado é a rainha

eram dois olhos imensos engolindo o céu das copas, a dança dos ventos, o direcionamento azul, tal qual mar a lua crescente ao revés n’outro continente dia ainda ou tua luz mais bonita, quando brincam Sol e Vênus deitada sobre a linha do horizonte apenas com a força da mente

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Canção para não morrer

Aqui, aos pés da cruz, já não choro como antes chorava. Os amores perdidos, as promessas desfeitas: os vejo como quem vê uma flor, um oceano, uma parede. Retornei aos meus anos divinos e nada encontrei, fui atrás dos amores sinceros e nada obtive. Agora me sento aqui, no banco

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parques

contém a morte da pessoa antiga sua grandeza, a nova consciência mal perceber a noite que com ela entra senão por essas lentes, tudo tornando outro é seu batismo. Essas imensas figueiras o lago verde, as casas amarelas a ponte em que se passa, acima as copas frondosas mãos junto

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uma canta, a outra não

merci pour les paysages porque no dia seguinte falamos de incesto e era como se falássemos de nós e eu precisei dizer que nem sempre me importava obrigada por me trazer de volta ao cinema desvendar o trauma através das imagens acreditar que existe algo mais nas paredes de ladrilhos

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