poesia

Sexta-feira da paixão – poema de Victor Pitanga

Sexta-feira da paixão

eu corto a folha da bananeira
depois o cacho
depois o caule
quando cai
quase quebra o muro

a serra da índia toca as nuvens
às vezes desejo que o mundo acabasse ali
que nossas preocupações fossem
a bananeira
o cacho
o caule
que eu fosse um pescador
um passado doce
que os livros fazem acreditar

as nuvens descem a serra
o vento derrubou o ingazeiro
a rua vira barro
e alaga meu quintal

os trovões não me atrapalham o sono

pintaram as paredes de branco
inventaram cercas
e fizeram do trabalho
o único modo de vida

Victor Pitanga, abril de 2020

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