#27 Edição/poesia

A temporada dos dinossauros

 

Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí.
“El dinosaurio” de Augusto Monterroso

 

antes que ele bata
eles abrem a porta
e se entra com a bota
borrada de barro e lama
eles trazem logo
o melhor tapete da casa
enquanto ele nos fala
sonhos de grandeza
eles balançam a cabeça
e gralham “é isso mesmo
apoiado apoiado”
se sorrir eles gargalham
se tossir eles engasgam
quando ele pausa
eles empestam o ar
com murmúrios e pigarros
quando franze a testa
começa o festival
ele recebem o sinal
e rosnam de cor
os sete nomes do diabo
então promete vingança
e eles salivam alto
o seu muito obrigado
então pede por justiça
e eles buscam a forca
e penduram o primeiro
miserável vagabundo
traidor degenerado
no meio da sala
então promete o osso
que dorme debaixo
da nossa pele e carne
e estraçalham a cidade
até que chegue aquele
amanhã o outro dia
e ele desapareça
como um campo minado
eles voltam para casa
“foi um pesadelo”
tomam um banho cansado
e apagam o passado
e quando menos se espera

 

Paulo Moreira, março 2016

 

…………………….

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