#24 Edição/poesia

Melany

Será mesmo outra sessão?
(the big brother [circa 1943]),
a enfermeira
com estilhaços além da própria
visão, cuida das próprias
feridas como se fossem
de uma outra que tem a morte nas mãos e diz
que a noite não demora
muito à forçar os seres adentro de si
os tambores plastificam as ossadas à dois
as ossadas que não imaginam
que além da sua dimensão
há estremecimento e suor – a não ser em aspecto
de “aura”, ozônio -, imobilidade
desenfreada por sonambulismo,
lua-espectro,
um choro desencadeia a impaciência,
a enfermeira em estilhaços
além dos sacra sinais
da visão,
com estilhaços no crânio
que pende na espinha dorsal
conhece o big brother
que lhe gira fractalmente
no cérebro
ao reconhecer a dama
de câmara à câmara com seus sinais da horizontal
(e se confunde consigo? mana,
estou dormindo?
é isso que te dizia Margot? e com que olhos?)
mas com que cara
chegamos
e com que frequência,
muito preocupada com frequências, o pulso,
a frequência do pulso,
principalmente dar um nome ao pulso – “Melany” –
assumir como os barcos
aceitam suas docas como a magia negra
não nos ressuscita – boneca de vodoo cravada em estacas boiando
em ondinhas que pulam
no réveillon

Stefano Calgaro, novembro 2015

 

…………………….

Um pensamento sobre “Melany

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