#1 Edição/poesia

sobre tudo que dizem por aí

o século XXI
de epifanias plásticas, soluções rápidas e ligações gratuitas
o século vi-te em um
rentável, sustentável, (politicamente insuportável), insolúvel e infringível
o século vinte é um
com vozes personalizadas pra pedir socorro
cartazes mudos olhando tácitos a paisagem
o século vim ter um
dos sonhos distantes tão perto do bem e da mudança
o século da portabilidade e inclusão,
do coração que explode pelas veias entupidas de propaganda
o século vinte um
sufocando de agrião e boas opiniões
o século vinte em um
sem caspa e sem preconceitos
com longas filas para qualquer lugar, que não a saída.
o século da pipoca com o sabor da
infância-que-você-nunca-terá,
de políticos bem intencionados e classe média ascendente.
o século vinte é um,
tão infértil que engoliu todos os outros
e agora busca novas formas de entretenimento
numa nova guerra fria
o século da multidão que olha o dedo e não a direção que ele aponta
– tão ingênuo e tão infantil,
que não consegue limpar
a própria sujeira
 

Victor Pitanga, dezembro 2013

 

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