#1 Edição/poesia/tradução

Pandemônio de portas abertas

Os heróis, que o tempo desconhecem,
dos campos de batalha de planetas ao longe,
a remo adentram os fiordes em pequenos barcos
feitos de cílios do gigante
que dorme uma última vez
abaixo da árvore torcida, sem forças
No quebra-mar onde começara a guerra entre os deuses
encontra-se um estranho, cuja cabeça é uma caixa de música
adornada com o esqueleto de uma pequena bailarina
que dança infinda
completamente absorta em suas soturnas concepções de vida
O sobretudo do homem farfalha ao vento do mar,
como gigantescas folhas de castanheira,
Enquanto os seus pés expandem-se e ramificam-se,
como raízes sob ruas,
E a melodia da caixa de música propaga uma atmosfera outonal
antes que se deite para dormir
Por fim, apenas o inútil som da chuva pode ser ouvido

Quando for descoberta a piada
as vítimas já estarão rijas de tanto riso
Folhas chamuscadas caíram sobre a pequena posição
que andava para trás no cemitério
os dedos dos participantes reluziam
Apenas o céu de fuligem
revelava porque foram até o fim do caminho

Ao fundo, como sempre,
Corria o médico e o leão
Disputando a chegada
Até o estúpido e sombrio castelo, acima das montanhas.
 

Tor Ulven, in: Skyggen av Urfuglen,  1977

Tradução do Norueguês por Vinicius Leite, dezembro 2013

 

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