#4 Edição / literatura

Pedro Paulo, anos depois.

Pedro Paulo, anos depois

Conto de José Vianna

EU VEJO coisas piores, eu vejo coisas sem dono, eu vejo o que tudo que há, eu vejo o que não há de ser, e eu vejo o que não há de se pensar, logo, por águas baixas eu já andei, e por cima de morro eu corri, e pelas estradas velhas os carros passaram por mim, e eu olhei pelo retrovisor e vi o meu rosto suado sofrendo com o calor, e toda a atmosfera que me rodeava estava de parada, e esteve sempre assim.

Continue reading »

#3 Edição

Curou

Curou

Conto de João Curamonge

Curou.  Principalmente na batata.  É, mais ou menos.  Tem dado umas fisgadas mas por enquanto tá tudo bem.  Não, não.  Isso.  Só fui uma vez só.  Nada de incrível.  É.  Mas foi tranqüilo, o hospital que demorou um pouco, mas de resto foi tranqüilo, o doutor, é, o nome dele era Ignácio José.  Ele veio dando uns tapas pra ver se tinha fraturado, coisa de louco.

Continue reading »

#2 Edição

Nega

nega

Conto de José Vianna

Já vi coisa pior: briga de gente não é nada. Vi coisa pior de lá de onde vim e lá em minha casa mesmo. Tinha dias que tinha até vidro quebrado embaixo de porta (e furava o pé, sim senhor!). Sangue e tudo mais pingando por aqui e lá. Depois vinha esfregão e rodo para lavar tudo e a casa ficava quieta de novo, como num passarinho só a piar na copa da árvore que chegava pela janela.

Continue reading »

Hilda Hilst – Nossa! O que há com teu peru?
instantâneos / literatura

Hilda Hilst – Nossa! O que há com teu peru?

Nossa! O que há com teu peru?

Conto de Hilda Hilst

Hilda Hilst é considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX. Poeta, cronista e ficcionista, morreu em 2004 na cidade de Campinas. “Nossa! O que há com teu peru?” é um crônica publicada, originalmente, no jornal “Correio Popular”, da cidade na qual a autora faleceu. Também integra o livro “Cascos & Carícias’, da Globo Editora.

Continue reading »

#1 Edição / literatura

Mais um dia e mais um baque

Mais um dia e mais um baque

Conto de Fernando Grilo

Vinícius era viciado em heroína, não muito diferente de Rafael que era viciado em pó, não muito longe de Stephanie que era ninfomaníaca, um pouco distante de Carlos que era viciado em crack, Renata que era viciada em Tv, Francisco que era viciado em refrigerante de Cola, Humberto que consumia água raz (…)

Continue reading »