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Uma biblioteca de areia

Ainda havia areia entre as folhas de meus livros. Desgarrava-se das letras e se prendia magneticamente aos meus dedos , sem deixar desapercebida a lembrança do que para mim sempre fora a praia. Talvez ainda o cheiro de mar pudesse se fazer sentir, impregnado, caso meu nariz deixasse-o fazer sentir.

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Gritos e Sussurros

Gritos e sussurros por debaixo do assoalho da cozinha. não se sabe o que virá no minuto seguinte não se sabe e ninguém. não se sabe mas bárbara se encarregou de tecer as primeiras conjecturas sobre o episódio especulando que lá havia tal e tal coisa e outras mais tais

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Um dia depois do dilúvio

“Quando disseram, a praga foi embora, uns gritaram versos bíblicos, outros festejaram dançaram etc, todos todas felizes alegres, extasiadas. Diziam: agora seremos plenos, realizadas, agora saberemos o que fazer. Nos primeiros dias acordaram assim mesmo, e se espreguiçaram com determinação. Nos segundos já começaram os ruídos, vocês sabem – é

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O Menino Sujo

Nota dos editores da USINA Os países da América Latina, apesar de heterogêneos, compartilham experiências cotidianas que os aproximam. Aspectos como o sistema político, a misoginia, as desigualdades sociais e as questões étnico-raciais produzem formas de violências únicas que estão cada vez mais em destaque em obras de autoras latino-americanas.

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O Cavador

Nota dos editores da USINA Os países da América Latina, apesar de heterogêneos, compartilham experiências cotidianas que os aproximam. Aspectos como o sistema político, a misoginia, as desigualdades sociais e as questões étnico-raciais produzem formas de violências únicas que estão cada vez mais em destaque em obras de autoras latino-americanas.

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O menino que andava pelas sombras

Começou quando saía para o colégio, a mãe se despediu com uma dessas tantas expressões de mães: “vai pela sombra”. Incitado pelo desespero do escaldante sol de janeiro no Centro da cidade do Rio de Janeiro, levou ao pé da letra os dizeres e passou a procurar a calçada mais

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O Diabo, provavelmente, em terra de Brasil

Por entre essas terras aí, tinha homem com pele de boi. Se eu tivesse visto teria me perguntado o que era aquilo, mas eu tenho certeza que a resposta teria sido insatisfatória. Meu Deus! Homem com pele de boi pra mim é o próprio Cão disfarçado de demônio, e isso

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O Fabuloso Quinquagenário de Lucy Almeida

Prólogo Lucy Almeida estremeceu de frio e acordou. Sentiu a garganta arranhar e reparou no ar condicionado ligado, mas estava ainda bêbada e não lhe ocorreu desligá-lo. Sentiu a coberta tesa quando tentou puxá-la para se cobrir, e notou que Alfredo Lopes se havia dela apossado, como de costume. Quase

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Chopin e Mendelssohn

Havia uma mulher que reclamava o tempo todo, toda noite a mesma música através da parede, ou seja, depois do jantar, os vizinhos velhinhos, marido e mulher, pontuais como um trem, chegam ao piano, e a mulher toca a mesma coisa, começava com algo triste e depois uma valsa. Todo dia, churúm-burúm, tatati-tatatá.

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Sonho de uma flauta

– Toma – disse meu pai, e entregou-me uma pequena flauta de osso – leva isso e não esqueças teu velho pai, quando alegrares com tua música as pessoas nas terras distantes. Já é tempo de agora veres o mundo e aprenderes alguma coisa. Mandei fazer a flauta para ti, porque não sabes nenhum outro ofício e só gostas de cantar.

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