#6 Edição/literatura/poesia

pequena história mensal

pequena história mensal (ou o que acontece quando não se é prosa nem poesia)

ainda não conto nada formaturva derrete meu pé o transforma em troféu vai colocar na estante de quem meu filho? acho que do papai muito mais que do vôvô mamãe. vovô não se acentua vôvô. e como você sabe mãe? porque mãe é mãe meu filho. ah que coisa obscura o teto sereno hora da poesia:

açúcar mascavo,

acabou a história. ponto pula duas linhas.

 

olá que tal como você vai? eu vou bem e você? minha mãe me chamou de legal hoje de manhã. a minha mãe ninguém sabe onde está imagine o destino alegre desse menino ele pensou que podia derreter o pé e o pé daria num troféu será que ele sabe de alguma coisa. é terceiro segundo ou primeiro lugar? será que ele está escondendo o jogo que lógica é essa malandro?

ai ai ai quanta fome força bruta braço torto tanta puta ponto

olá colegas,

hoje quero compartilhar uma história com vocês mas não sejam tão mal-educados, senhores… senhoras. vejam bem o lugar que meu dedo está apontando agora prestem atenção. atenção. atenção. XABLÁU! VAMOS A BAILAR!

rio de janeiro, 09 de maio de 2014

HOJE É DIA DEZ PORRA JÁ PASSOU DA MEIA-NOITE

olá você é muito engraçado tudo bem com a sua vida a minha não vai muito assunto sossego vidraça cumpadre soturno reforma o cajado semblante soturno reforma o cumpadre.

É COMPADRE PORRA

amor meu ontem te mandei milhares de cartas de fontes de rasos cordões de ouro meu cheiro perfume amor meu:

aqui não se
tem resposta
não canta
ou aposta
sem azar
ou amor
(BOLERO NO FUNDO DO RESTAURANTE)
aqui não se
tem mais nada
formaturva
e aguada
da nossa dor
(TERMINA O BOLERO)

a senhora vai se sentar seu marido suado espera ele tem um pequeno pañuelo em suas mãos passa na cara ele se senta ela se senta uma água uma água o bolero acabou vamos para casa que isso hômi ficasse doidin

ERA SÓ INTERVALO DA
BANDA!
(BOLERO NO FUNDO DO RESTAURANTE)
o senhor baixinho fala
MEU DEUS! MEU DEUS! QUANTO
DESESPERO!
a garçonete
ISSO AQUI NÃO PODE SER
LITERATURA MOÇO
isso aqui certamente não é literatura imagina eu sei muito
bem o que é literatura e posso afirmar que isso não é literatura

(mas você não vai fazer epígrafe e tudo mais, cara?)

EPÍGRAFE
Amor,
quanto a isso esperava uma resposta
só não precisava ser nada demais porque
agora meu pé virou troféu não quero nem
pensar no que minha mãe vai falar depois que
voltar do bolero…
FIM

SOBRE O AUTOR

antonio rodrigues é autor deste texto que ele define como devir-vanguarda e diz que ninguém entende nada:

“ o paralelismo ambiental denota uma forma outra de
abstenção da mediocridade plasmática. a situação ontólogica
reforça essa dialética e comove o verbo num clima que, de toda,
forma, não é ameno. acho que minha poética tem muito disso.” (palavras do autor)

antonio rodrigues não tem nenhum patrocínio mas gostaria de agradecer a ajuda da Fiat, Parmalat, Nestlé, Itaú e Banco do Brasil. Boa noite.

Antonio Rodrigues, maio 2014

 

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