#12 Edição/poesia

Em via

Em via

I

ao viandante
idos os mapas
a bússola
o astrolábio
resta
a velha nau

se o corpo
fronteira aberta
nada abarca
ossos a inflarem-se
quando há força de vôo

se o amor
risco
n´areia
vaga
(onde descaminhos
onde sortilégios…)

ao viandante
resta a voz só
suster-se nela
o corpo
em queda

livre

II

os braços
pesam ocasos
insubmersos
à noite
o barco
em meio
não será preciso
velar

mais além
vozes
de pés miúdos
terão fome
dos que saem
de um sono
profundo…

 

Marcha dos amantes (iluminura)

malgrado fevereiro
campos desinvernavam
ao redor

madrugada ali
golfaram trompas e membros
devassos os dois
aurora nas unhas
como bisturis
restos de placenta

em pétalas

dunas brotando mamilos e dutos
procelas de sede
e inda lutavam
as línguas lesmas
 
 
malgrado a estricnina do tédio

a bala Euclides
o trem Karenina
a naja Cleópatra
o forno Plath

à sombra dos amantes
foram
seu passo de ganso sobre os escalpos
rumo a nada tomassem
a lua sem bandeiras

chaminés ao fundo.

 

 

Guilherme Gonçalves, novembro 2014

 

…………………….

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