#11 Edição / poesia

Você quer construir um malabarismo

Você quer construir um malabarismo
Oh, a grande obra
Oh, o mesmo quarto há trinta anos
você vai descobrindo aos poucos
os contornos
por favor não faça comparações
Órfico
ou comendo pastilhas na cama
sua figura incide (benalete)
você faz sua cama inavegável
marcha um malabarismo
de pés arrastando em areia
desliza pelas paredes
Órfico, oh, a grande obra,
a estatua
e seu belo malabarismo

 


 

A linha média
da minha
mão
mede
a duração da sua vida
o seu amor
a sua fortuna
de duas
sardinhas
este rio de peixes
ainda irá desabar
na tua cabeleira
prata
na tua sorte
esteja ela
no jogo do bicho
ou no azar
nas camisas
que tem escolhido
de olhos fechados
essa ripa
na gola
de papel
mede
a sua rotação
a rotação do seu pescoço
o jogo
de cintura
do seu tronco
este ponto cego
nas costas
que os braços
não te atingem
pode fazer ruir
a tua cabeleira
prata
os teus jogos
de azar
as linhas da minha mão
média
que te esfregam
como se você fosse
uma lâmpada mágica.

Stefano Calgaro, outubro 2014

 

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