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Ricardo Miranda – Di-Glauber

Curta-metragem de Glauber Rocha, Di-Glauber foi realizado a partir da morte do pintor Di Cavalcanti quando Glauber resolveu fazer uma homenagem e filmar seu enterro. Este filme está entre os dez “filmes de cabeceira” de Ricardo Miranda, importante cineasta brasileiro que faleceu recentemente.

Montador e diretor, Ricardo Miranda iniciou sua carreira no final da década de 60, desde então motivado por uma nova forma de fazer cinema. Como montador, trabalhou em filmes de Paulo César Saraceni, Luiz Rosemberg Filho, Ivan Cardoso e Glauber Rocha. Em 1990 realizou seu primeiro longa-metragem, Assim na Tela como no Céu, e seguiu dirigindo filmes autorais, entre documentários e ficções. Além de cineasta, Ricardo foi professor e grande entusiasta da cinefilia, trasmitindo desde sempre sua paixão e visão ousada sobre o cinema.

Segue a lista dos filmes fundamentais para Ricardo Miranda:

“Sem ordem, sem documento, sem saber como me vieram os dez  filmes. Filmes cabeceira. Filmes que vejo e revejo, e sempre rompem minha emoção. Filmes em que penso na hora de pensar cinema”

1. Três Cantos para Lenin – É o filme em que Dziga Vertov põe em prática teorias produzidas desde os anos 1920, com total emoção. Fico extasiado cada vez que assisto.

2. O Velho e o Novo (A Linha Geral) – Os filmes de Eisenstein são filmes de cabeceira. Este não paro de ver e rever. A sequência da procissão transcende as teorias construtivistas do cinema.

3.  Uma Visita  ao Louvre, de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub – Impressões do pintor  Cézanne sobre algumas das principais obras de arte do Museu do Louvre. Enquadramentos   rigorosos e precisos vibram com cores e formas da pintura. Um filme de palavras. Extraordinário.

4. A Pedra da Riqueza – O filme mais equilibrado entre o particular e a grande metáfora. Quando assisti registrei e nunca mais me esqueci deste documentário do Vladimir Carvalho.

5. Crônica de Anna Magdalena Bach – Fenomenal filme de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub. Citando Straub, “uma das tarefas é achar imagens que não bloqueiem a imaginação do espectador”.

6. O Leão de Sete Cabeças – Extraordinário filme de Glauber Rocha. Aqui Glauber engendra  ”um incêndio simbólico para fazer a libertação brotar das cinzas do ícone deposto.”

7. Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul – Narrativa única municiada por estranha mitologia da Tailândia. Tradição/invenção; lenda/fato; sensação/história.

8. Medeia, de Pier Paolo Pasolini – Ritos, beleza, cinema. Instintos, paixões e sentimentos. Um filme que te acompanha no dia após dia.

9. Di-Glauber  – Pequeno, grande, enorme, fundamental filme.

10Número Dois, de Jean-Luc Godard – Godard após os experimentos do Groupe Dziga Vertov. Cotidiano e sexualidade. Ver revendo. ReveЯ.

Lista publicada originalmente em: http://carmattos.com/2014/03/28/ricardo-miranda-o-corte-seco/
 

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Um pensamento sobre “Ricardo Miranda – Di-Glauber

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