Tempo dos Mestres é o segundo álbum do violonista Fabiano do Nascimento, músico carioca radicado em Los Angeles desde os anos 2000. Lançado em 2017 pelo selo norte-americano Now-Again Records, esse trabalho expande a musicalidade e as influências apresentadas no primeiro álbum do artista, Dança do Tempo (2015). Reunindo o balanço e timbre do jazz com a alma e sonoridade da cultura popular brasileira, Fabiano do Nascimento nos presenteia com grandes interpretações além de duas lindas composições instrumentais: Louva-a-Deus “Mantis” e Matrisadan.
Evocando a mestria das tradições indígenas e afro-brasileiras – estampadas na capa do disco –, as faixas passeiam do Centro-Oeste para o Nordeste do país em músicas como Planalto (Daniel Santiago), Baião (Carioca Freitas) e Brasileirinho (João Pernambucano), e apresentam mais da cultura popular com as versões de O Canto de Xangô (Baden & Vinícius) e O Tempo, cantiga gravada 3 anos antes pelo grupo A Barca, no álbum Baião de Princesas (2014).
Os arranjos são muito bem costurados entre o violão de 7 cordas de Nascimento e o sax soprano de Sam Gandel, parceria que rende novos lançamentos até hoje. Algumas faixas saltam os ouvidos pela desenvoltura e duração com que são conduzidas, é o caso de Sambando (Carioca Freitas) e Oya Nanã (Daniel Santiago), que ainda conta com os vocais de Carla Hasset e Thalma de Freitas. Também somos agraciados com a interpretação da música Já Que Tu do grande percussionista Naná Vasconcelos.
O ponto alto fica por conta da música Louva-a-Deus “Mantis”, tema principal utilizado no vídeo de lançamento que ilustra brevemente as referências de um Brasil profundo. Nesta composição inspirada na Floresta Amazônica, Fabiano expande a sensibilidade musical com a presença de sons concretos que se misturam à percussão – com assobios, chocalhos e guizos – nos envolvendo em uma atmosfera misteriosa que culmina em uma profunda respiração.
Em 2020 Fabiano do Nascimento lançou seu terceiro álbum – Prelúdio – composto inteiramente por musicas autorais e assumindo uma nova fase após dois álbuns dedicados à interpretação e pesquisa da cultura brasileira (fruto da convivência com Carioca Freitas). Desde então o músico tem lançado novos trabalhos todos os anos, confirmando seu destaque na música instrumental após já ter tocado com Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Arthur Verocai, entre outros. Ykytu (2021), Rio Bonito (2022), Lendas (2022), Das Nuvens (2023), Mundo Solo (2023) e o mais recente The Room (2024) foram os últimos lançamentos do artista.