poesia

Querida, o tempo amansa a gente – poemas de Luiza Oliveira

Querida, o tempo amansa a gente

aprenderei aos poucos a rezar
como você tentou me ensinar
tantas vezes
a cativar os pássaros
a não temer a gente
a andar pela rua
observando o mato
que resta entre nós 
e a cidade
se tornará suave
meu andar
e a saudade 
será faísca
e ainda que eu me enterneça
em cabeça e coração
não há de faltar
como nunca te faltou
a valentia
Sem Título

sofreria hoje
sim
mas em minas gerais
sentiria medo e desterro
carregaria
em círculos
o caixão
mas descansaria depois
nos braços da mais antiga de nós
perderia as tardes em saudades
mas deitada ao capim
entre o sol e a pedra
choraria o fim
negaria alma aos bichos
negaria deus no fim da tarde
mas aqui não,
há já lamúrias demais nessa cidade
aqui se bebe,
se fode,
se destrói,
mas não se chora.

Luiza Oliveira, julho de 2020

4 thoughts on “Querida, o tempo amansa a gente – poemas de Luiza Oliveira

  1. os ambientes que luiza cria em seus poemas aliviam o ritmo do tempo que por vezes nos engole. é quase como reaprender a respirar.

  2. luiza, bom demais viajar nos seus textos. sinto que é sempre pra onde há tanto montanhas quanto mar. a cidade sempre se transmutando como a gente dá uma mínima esperança de não pararmos aqui e de nos tornarmos lembrança como o mato e a pedra.

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