poesia

Poemas para nosso tempo XXI

Jesus Chorou

O que é, o que é?
Clara e salgada.
Cabe em um olho,
pesa uma tonelada.
Tem sabor de mar,
pode ser discreta.
Inquilina da dor,
morada predileta.
Na calada ela vem,
refém da vingança.
Irmã do desespero,
rival da esperança.
Pode ser causada por
vermes e mundanas
E o espinho da flor,
cruel que você ama.
Amante do drama,
vem pra minha cama por querer.
Sem me perguntar me fez sofrer.

E eu que me julguei forte?
E eu que me senti?
Serei um fraco quando outras delas vir.
Se o barato é louco e o processo é lento,
no momento, deixa eu caminhar contra o vento
Do que adianta ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável (é quente).
Borrou a letra triste do poeta (só).
Correu no rosto pardo do profeta.
Verme, sai da reta.
A lágrima de um homem vai cair.
Esse é o seu B.O. pra eternidade.
Diz que homem não chora, tá bom, falou.
Não vai pra grupo, irmão, aí, Jesus chorou.

Porra, vagabundo, ó, vou te falar:
Tô chapando, eita mundo bom de acabar.
O que fazer quando a fortaleza tremeu?
E quase tudo ao seu redor, melhor, se corrompeu?
— Epa, pera lá, muita calma, ladrão!
Cadê o espírito imortal do Capão?
Lave o rosto nas águas sagradas da pia
Nada como um dia após o outro dia

Mano Brown

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