poesia / USINA impressa

epígrafe

ai meu deus quem comove
o asfalto o concreto quem
perturba o signo do zodíaco
e seu exército de sussurros
marítimos quem impede
os golpes os gestos os
toques quem ri no dia
das graças abençoado
seja este mundo abençoado
seja vós louvado
seja deus ele está no meio
de nós glória a deus
pai todo poderoso ai
meu deus quem descreve
as planícies ora desacreditadas
quem de ferro fere o fogo quem
de quase fura o corpo qual
carícia em tempo firme
qual malícia escapa à
sorte seremos nós guerreiros
do apocalipse seremos
nós milícias do fim do
mundo seremos nós pagãos
adictos organismos febris
espíritos abandonados
seremos nós visão do amanhã
predispostos ao ocaso
não vamos chorar nenhum morto
ai meu deus qual nome
te dar qual tanto e pouco e sinto
pode haver nessa hora de
santos nessas horas de missas
de bandas de preces quem vai
rezar por último somos nós
urbanos indiscretos formigas
indigestas somos nós orgasmos
industriais ciborgues xamânicos
sob nossos pés não estará
ninguém sob nossos pés restará a
ruína e nossas fogueiras tomarão
o continente e todas as
muralhas serão destruídas
até não haver mais nada
que não seja afeto até não
haver mais nada que não
seja gozo

Gabriel Gorini, junho 2019

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