literatura / poesia

pequena história mental nº42

meu segredo é não reclamar de nada
é seguir a vida
como a vida é
os outros que me perdoem, as mulas que me
abençoem
são nossas as nossas dores
eu que não sei dizer
se aquilo que vi se aquilo que sei
não sei mais
o que dizer se aquilo que não vi nem
sei pode ter pode ser o privilégio de
mim
aqui onde se faz onde se paga mas não sei
quanto a alguns quanto a muitos
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei
por isso digo, e repito
senhor
os outros
senhora
as outras
eu digo e repito por isso eu digo e repito
agora não há mais nada
agora não há nada mais
se é guerra se é guerra
em cada
um
por isso havia pensado
vou fazer uma rima
mas não tive a rima que quis
por isso penso
agora
vou continuar sem rimas
portanto paro
acabo o poema
o primeiro de muitos
o segundo de vários
o terceiro que
abre o terceiro que
fecha o terceiro que
abençoa os nossos os
seus assuntos
tudo é ritmo você diz
tudo é ritmo você me
diz tudo é rito você
espera
que eu fale sobre quantos assuntos
quantos ao mesmo tempo ao mesmo
mesmo e imenso aumento que isso
que aquilo que tudo mais
chega de falar
no more words
i don’t know what i’m saying
i came from rio de janeiro do you know what i’m saying
rio de janeiro i don’t know
you don’t know
what i know you
don’t know me
at all
aqui aqui escrevemos rápido paramos os sinais s ouvidos os estratagemas as crianças perdidas na noite serão pretos serão pardos quase todos pretos quase todos pardos e os brancos quase pretos que também eram mais pardos que não sei aquilo que perdia aquilo que se falava quando amanhecia o dia já clareava e se a dor é dor da história melhor seja a palavra que agora nesta hora é esperança sua lavra
ainda não sei
se feri ainda não sei
que não sei ainda não sei se perdi
ainda não sei
sempre quis fazer poemas curtos sempre quis fazer poemas longos
sempre quis escrever da maneira que quisesse
e hoje escrevo da maneira que quero
hoje mas essa maneira que quero não controlo
porque só posso saber o que quero eu não posso
inventar o saber é sempre um saber é sempre um saber
saber sabor saber sabor igual o
professor da universidade do brasil
saber sabor saber sabor aquiloque
aquilo que se comove aquilo que se desfaz
desfez o voto desfez a carne
a carne se desfez é voto é pobre é rosa é turvo o turvo
metal de cano é turvo o turvo metal de lata
lata a lata a tala a ltta a lta lakta las ta ls ke la os
como uma composição
com
po si
ção com posi çãopo si ção com
posicom posiposiçãocom si ção
posiposiçãocom si com po ção si
si po ção com po ção si com po si
ção ão
ão tão
não tão cedo
não tão tarde não
nesta hora do dia por isso amor não precisa me dizer essas coisas
não precisa dizer que não vai embora
aqui toma a chave pra você sair quando bem
quiser ouve bem esse som de manhã é complicado
passa o caminhão de lixo a festa mora na via o corpo
omisso amor não precisa me dizer essas coisas não
precisa dizer que fica não precisa dizer que chora não
precisa porque complica não precisa porque
agora
o que quero dizer é isso por isso não sei porque paro
não sei porque leio quero
escrever e só isso e apenas
isso não me importa o que vier
não me importa se é lixo
amor eu quero isso
e nada quero
mais isso que
quero mais

larog o dedo fechoo s olhos agora
o poema está terminando não sei mais o que dizer por favor
não me ignora que coro se eu for
o desperdício você entende
o desperdício é melhor calar a boca
é melhor eu ir embora
falar do pouco compromisso falar do que se comemora
agora daqui em diante agora a partir desta hora
eu começo meu fim no
início e termino na hora
da aurora se é parco se
tosco se é pouco dos que
se dizem
adeus
chegou minha hora
não espere eu terminar o poema
porque ele já

antonio rodrigues, dezembro 2018

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