entrevista

Conversa nº2: André Aranha

no dia quatro de maio de 2017, no final da tarde, eu e arthur nos reunimos com andré em volta da mesa do centro acadêmico da primeira escola (é o que dizem) de desenho industrial da américa latina. falamos de revistinhas e gazetas, das possibilidades de lidar com o dinheiro em modos diversos de organização e também das experimentações gráficas e de organização praticadas no Colaboratório, oficina que, durante alguns poucos anos na ESDI-Uerj, foi um espaço autogestionado de diálogo e criação, reativando um antigo e abandonado laboratório nas dependências da Escola. lá nos eram disponibilizados alguns interessantes e antigos equipamentos, como uma grande guilhotina, uma máquina de serigrafia, uma tipografia, etc. a isso se somaram uma dúzia de impressoras, prensas, máquinas de costura, etc – a maior parte trazida do antigo ateliê Casa 248, em Vila Isabel. durante algum tempo, o Colaboratório foi um espaço de troca e construção de novas possibilidades de produção. graças ao Colab, por exemplo, conseguimos levar adiante o projeto da USINA impressa. andré, editor, economista e nadador, enxerga o longe no perto e poderia ser chamado de gênio da raça, caso o termo não estivesse em má fase perante a sociedade.

a presente entrevista foi editada ao som de:

  • Bob Marley & The Wailers – Catch a Fire (1973)
  • Maria Bethânia canta Noel Rosa (1966)
  • João Giberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil – Brasil (1981)
  • A voz, o violão, a música de Djavan (1976)
  • Subsolo – Ordem de Despejo (2008)
  • Negro Leo – Água Batizada (2016)
  • Elis Regina – Elis (1973)

Gabriel Gorini: Queria começar falando sobre o processo da Suco¹: como surgiu e como é esse processo de fazer uma revista com muitas mãos em torno de um tema, um processo que dura um dia inteiro.

André Aranha: Começou basicamente eu e Vidi Descaves, que faz o Tastequiet, vocês conhecem o Vidi. Uma parada essencial pra gente ter feito isso, pra ter sido esse o processo criativo, foi que nós dois fizemos o curso do Charles Watson. Não sei se vocês tão ligados no Charles Watson… É um cara que dá aula no Parque Lage, um escocês que veio pro Brasil e começou a se envolver com artes plásticas, sei lá. Ele dá várias aulas sobre processo criativo e, duas vezes por ano, nas férias de inverno e de verão, dá uma imersão. Você passa um mês na casa dele. O curso se chama “Procedência e propriedade”. Junta vinte pessoas, paga uma nota pra ele e fica quarenta e cinco dias desenhando de manhã até de noite. É muito louco, nunca tinha desenhado antes. Você aprende sobre quem é que fez uma parada, de onde as coisas tão vindo, em termos de processo criativo, então você começa a copiar todas as outras pessoas, rapidamente as pessoas começam a colaborar, mas cada um tem o seu desenho.

Fiz esse curso em 2010 e o Vidi deve ter feito em 2011. Nós dois somos muito formados por esse curso. Uma parada de se aplicar muito numa questão, de conseguir usar todos os recursos possíveis, não ter muita fronteira no que é normal de usar e o que não é. Depois fui fazer pintura e pegava qualquer coisa, só queria um efeito, não importa se é um pincel, um pano de chão ou qualquer parada. Depois de um tempo a gente resolveu que queria continuar fazendo imersões e inventou essa revista que ia ter um dia de imersão. Um processo criativo ferrenho. A Celina Kuschnir entrou nessa também, e a Luísa Pollo na primeira, depois elas ficaram por volta, elas ajudaram muito a dar a concepção original da parada, mas depois ficava só eu e Vidi fazendo. Essa é uma das genealogias…

Gabriel: Mas assim, ao mesmo tempo em que todo mundo chegava e o processo girava em torno de um tema e a gente pensava, martelava em torno desse tema exaustivamente, tinha um certo direcionamento, não sei se direcionamento, mas vocês davam uma forma… As páginas eram uma coisa totalmente aberta, que todo mundo ia fazendo, mas ao mesmo tempo vocês finalizavam, tinham que dar uma finalizada.

Arthur: Tem uma pegada meio internet a Suco, de todo mundo copiar e colar, não tem muito essa questão de autoria fechada…

André: Uma coisa que virou meio padrão era criar um evento no Facebook antes. Todo mundo que a gente tinha convidado expressamente ficava postando no evento qualquer parada que tivesse a ver com o tema. Virava um evento cheio de postagens com imagens, textos, às vezes vídeos, mas eu não gostava de vídeos porque no final ia imprimir tudo. Quando começava o dia tinha impresso a internet.

Gabriel: A Suco também veio por causa de uma viagem gráfica,  escanear, imprimir… Tinha um material grande disponível pra você usar.  Quando você começou a pensar nessa parada de comprar uma impressora e ficar imprimindo? Porque não foi só a suco, depois começaram muitas publicações, qualquer coisa, desde contar histórias, como a gente tá vendo agora nessa recuperação da tipografia da Esdi, até intervenções políticas (Fuck Cunha, Fuck Golpe). Como é que começou essa onda? Não sei se foi um salto, mas acho que a suco foi o início disso.

André: É, a Suco é o início de tudo. Em 2013 fiz algumas revistinhas políticas, como o Fora Cabral, mas a gente já tinha feito umas três sucos, e já tava começando a ter intimidade em fazer um processo gráfico fácil.  Quando começaram as manifestações, falei, “vou usar essa tecnologia que tô aprendendo pra outras paradas também”. A impressora se chama Manuela por causa da manualidade. Tenho uma formação, passei 7 anos na faculdade. Muito teórico, muito lendo filosofia, várias coisas muito mentais, aí foi uma onda de descer pra terra. Voltar a conectar todo esse mundo da mente à matéria mesmo.  E aí a impressora é o cavalo, que faz a ponte.

Gabriel: E tudo veio junto? A publicação e a organização em autogestão. Como é que é esse processo? Qual é a sua onda com a autogestão, e a maneira como as pessoas lidam com o espaço e com o dinheiro?

André: A parte de autogestão eu não tinha muito comigo. Já tinha um flerte com anarquismo sem conhecer muito. Nunca fui muito politizado e 2013 me pegou de surpresa. Mas lembro que no final de 2012 comecei a trabalhar no Banco Comunitário da Cidade de Deus. No Banco Comunitário comecei a conhecer a ideia de autogestão. Fui parar lá frustrado com um estágio que fazia no Banco Mundial. Ia pra favela num contexto de ultrahierarquia: eu era o economista pousando nessa espaçonave e todo mundo vai obedecer e ouvir. E, porra, eu era um moleque, e dava ordem pra várias entrevistadoras negras, de 40 anos, que faziam serviço social. Fiquei puto… E vi que quem mandava eram os economistas, nem eu mandava, quem mandava eram os meus superiores. Era uma galera tão desconectada da realidade e com um discurso tão poderoso, o discurso econômico, de dizer “olha, eu provei que a economia é uma ciência social objetiva, científica…” Fui ficando muito frustrado e puto com isso, então larguei.  Aí comecei a ir na Cidade de Deus, mas peguei essa grana que tinha sobrado do trabalho com o Banco Mundial e falei, “vou comprar uma impressora, vou torrar ela fazendo Charles Watson com os amigos, vai ser muito maneiro”.

Durante muito tempo, organizei minha cabeça como um tripé. Eu tenho três frentes: uma o Banco Comunitário da Cidade de Deus, que era uma experiência antropológica. Fazia diário de campo toda vez que eu ia. Tenho quatro cadernos, todos os dias que fui lá chegava em casa e anotava tudo. Era uma experiência social forte, conviver com a pobreza e o ensino: Paulo Freire, autogestão, finanças na favela, insegurança e tal. E isso era um eixo. O outro eixo era a Suco: a arte, criatividade, fumar muita maconha, conhecer muita gente. O terceiro eixo era a Torre de Marfim. Em 2013,  puto com a estatística e com essa merda de experimento na economia, de usar seres humanos como objeto, conheci um professor na PUC que participou do Plano Real, um titã da parada, e ele precisava de um assistente de pesquisa. Frustrado com a estatística toda, falei, ‘vou me formar em Economia na PUC’. O Chico de Oliveira, o marxista, fala que a PUC é o templo do neoliberalismo, de onde saiu o Plano Real e tal. Eu falei, vou ter aula com a galera do Plano Real e aprender que porra é essa na fonte.

Além do mais eu tava na Cidade de Deus, nesse Banco Comunitário que tinha uma moeda própria. Eu tinha feito intercâmbio no México, passado em Cuba, que tem duas moedas. Tava pirando com a parada da moeda e encontrei esse professor que fazia pesquisa sobre todas as autoridades que mandam na moeda, na criação da moeda, o que que a moeda pode comprar, se você pode comprar dólar ou não, se você pode vender o seu Riocard ou não, se você pode dar desconto pra pagamento no cartão de crédito ou não. Legislação monetária em muitos termos: uma rede de atores que cerceia a moeda no Brasil. Fiz um serviço muito bom, transcrevia as aulas, remanejei, editei, incluí muita citação bibliográfica. Fiz elas virarem uma beleza, porque ele queria fazer isso virar um livro. Aí quando ele começou a fazer a parada virar um livro ele falou, “vem pesquisar comigo”.  Só que era a Torre de Marfim. Encontrei com ele cinco vezes em três anos de trabalho. Era sempre por e-mail, e os e-mails dele eram tipo: “André, que história é essa na constituição de 88 proibirem juros maiores que 12%, descobre.” O e-mail era essa frase. Dali a duas semanas eu tava enviando o dossiê, já super selecionado, porque eu fazia um trabalho burral. Ele respondia “tks!”.

André com colegas de trabalho no Banco Comunitário da CDD (Foto: Arquivo pessoal André Aranha)

Gabriel: Como começa esse processo de autogestão? Não sei se começou agora com a gráfica, com o Colaboratório… Mas é um processo justamente que tem um dinheiro acontecendo, em que as pessoas conseguem ter essa disposição de chegar e arrumar a tipografia, de publicar e contar uma história, de lidar com o dinheiro, mas de um modo não centralizado.

André: Acho que pode parecer meio maluco ficar voltando nisso da economia monetária, mas é porque o Brasil não tinha ideia de quanto dinheiro era criado, e nenhum ator tinha interesse em parar tudo e organizar as contas da casa, sabe? E isso batia muito com o que eu tava vendo na Cidade de Deus. Eles tinham um banco comunitário lá, mas a contabilidade final nunca era feita, porque todo mundo trabalha nessas pequenas funções. Quem é que vai se meter a dar a notícia ruim pras pessoas, de que não vai ter mais empréstimo?  Quem é que vai gerir essa parada mais sensível de todas que é o dinheiro, né? E toda essa parada da hiperinflação… Isso era legal na pesquisa lá do professor.  Já era um problema crônico no Brasil, mas a ditadura tornou impossível, porque você tinha um cara que mandava, um ditador, então não era necessário criar instituições da coletividade, tomar consciência e gerir. Nem tomar consciência tinha… Pode parecer meio delirante ficar falando essa parada ultra-macro pra essa parada ultra-micro aqui, mas tô dentro desse contexto. No final muito da viagem do Plano Real, e das paradas legais do Plano Real, dentre as mil merdas, estava a transparência, o “vamos unir as contas?” Todos os estados estão se endividando pra caralho, vamos consolidar a dívida e ver qual é a dívida total? No banco da Cidade de Deus, eles não tinham as contas arrumadas, então a gente, eu e a equipe de funcionários mais do dia a dia da contabilidade, tinha certeza que um dinheiro tinha sumido, que alguma gestão tinha perdido um dinheiro. Essa desconfiança, sabe? Corrói todas as relações…  E aí cruzando o que eu tava aprendendo sobre as finanças do Brasil, consegui as contas do banco da Cidade de Deus, que era um desafio, porque tem duas moedas lá. Não dá pra explicar, mas a contabilidade é muito complicada, era infernal. Mas consegui uma maneira de determinar quanta grana tinha e no final ninguém tinha roubado nada! Todo mundo lá tava junto na parada. Isso foi uma lição. Eu tinha acusado pessoas. Tive que engolir. E eu percebi que se a gente não organiza o dinheiro, começa a brigar, sendo que o inimigo tá lá fora, todo mundo aqui tá sonhando junto. Isso foi uma lição muito importante pra mim. Então quando a gente tá aqui organizando a grana, é com isso que tô pensando. A gente não pode virar o banco Cidade de Deus, a gente não pode virar o Brasil. Esse é meu imaginário. Só falei da parte financeira…

Cédulas de do dinheiro CDD (Foto: Arquivo Pessoal André Aranha)

Gabriel: Essa é uma questão muito séria que você conseguiu fazer em pequenos lugares. Como é que dá o salto, essas três coisas, de autogestão, economia e gráfica. Aqui na Esdi você consegue juntar todas as dimensões…

André: Depois de dois anos do Banco Comunitário pulei fora. O projeto não andava. Não conseguiam incluir pessoas novas. Enfim, eles não conseguiam fazer as coisas acontecerem, brigavam muito. Poderia ter sido foda. Às vezes fico morrendo de remorso de ter pulado fora… Tentei ir pro IPPUR e não passei. Ao mesmo tempo a pesquisa do professor lá e a parada de uma alta economia… Em paralelo com o que aprendi, fiz uma puta pesquisa sobre vale-transporte. Escrevi um livrinho sobre, anos depois escrevi aquele panfleto. Fiquei satisfeito com ele, limpou um pouco a minha cabeça. Mas esse ramo da alta economia, da crítica macro, também foi falindo. Aos poucos fui começando a odiar ele, e me senti muito perturbado por estar trabalhando prum cara centro do… Porra, pô… Tava reunido com o Temer e a nova presidente do BNDES que tá destruindo o BNDES. É muito forte… Mas, enfim, esse ramo foi falindo também. E na verdade a Suco, que era uma maluquice,  foi tomando conta da minha vida. Porque a parada da impressora foi só crescendo e me fazendo conhecer pessoas muito fodas. Os outros dois ramos eram relações com paradas velhas, pessoas velhas, e a Suco era uma criação. “Vamos criar um espaço novo?” Nessa falência de todo mundo. Meio que eu vivo muito essa coisa do macro estar se espelhando no micro. A falência do mundo é a falência tanto da esquerda quanto da direita na minha vida pessoal. E a gente tá tentando fazer um terceiro caminho, que acho que é de esquerda, mas… Sei lá.

Arthur: Me fala um pouco como as relações econômicas aqui no Colaboratório são sociais, são socializadas, são relações pessoais. Se você vê assim…

André: A Carolina Secco é muito foda, ela é muito foda, é muito profunda. Ela não é inflexível, é muito coerente, nunca pisa na bola. Muda todas as condições do problema, a gente vem pra ESDI, depois do ateliê a gente muda tudo. Ela tem um instinto certeiro e um pensamento econômico muito sofisticado. Depois que fui aprendendo a reconhecer outras economias… A Carol tem umas ideias fantásticas, de criar a economia do comum. Assim, eu tinha a parada de autogestão um pouco lá da Cidade de Deus e um pouco da revista Suco, que era uma doideira, mas sempre muito centralizado em mim. Eu sou muito centralizador, e eu centralizo a porra toda aqui. Tenho um grande problema em delegar, mas a Carol tinha uma parada de que se chega um momento em que ou a casa cai ou centraliza mais, ela deixa a casa cair, sabe? E aí a galera enlouquece… E é muito saudável isso! (risos). Enquanto eu centralizaria mais.

Teve uma Suco em que eu, não sei muito bem como, a gente foi fazer uma suco lá na 248, esse ateliê que a Carol e a Beta estavam. Só fui conhecer a Beta mais recentemente, é por isso que vou falar muito mais da Carol. O ateliê era da Beta, da Carol e de outras pessoas também… A gente foi fazer a Suco lá e elas amaram. Foi a Suco que o Gorini tava, da pedra. Foi a primeira Suco que a gente fez lá. E elas amaram porque reconheceram muito de autogestão. Eu não dava o nome de autogestão, pra mim era anarquia. E eu ficava confuso de ter dois monarcas na anarquia, eu e Vidi. A gente ficava discutindo, “tem que ter mais monarcas”, “essa é a questão, monarquia rotativa”…

Vou continuar fazendo a genealogia. No início, na Cidade de Deus, comecei ajudando a contabilidade. Elas que me apresentaram Paulo Freire. Eu dava aula de Excel e comecei a pirar nessa de como era humilhante pra elas não conseguirem fazer contabilidade, e como eu tava tornando a contabilidade uma coisa simples, que empoderava elas pra caralho, muito como o Paulo Freire fazia com a alfabetização. Você tá ensinando uma coisa técnica, mas torna a parada um empoderamento, vamos discutir a realidade a partir desse negócio. Isso foi evoluindo a ponto de eu começar a trocar muita ideia, olho no olho, com uma galera. Uns três funcionários que faziam o caixa. Essas pessoas tinham ideias muito fodas, de o Banco virar uma parada de educação financeira, de a gente cada vez menos envolver tanto dinheiro e envolver mais ensinar a pessoa a se organizar, a tomar consciência do gasto, reunir as pessoas e fazer elas conversarem entre si. Uma coisa mais de autogestão, e não de a gente impondo as coisas. Eles já tinham bastante um discurso de não hierarquizar, não ser caridade, não ser uma relação vertical.

E aí culminou na gente pirando também no que é microcrédito. A gente começou a chegar numa ideia, uma visão do que era o banco que partiu delas. Eu fui meio que estruturando e dando forma.  Elas falavam que o empréstimo é muito pequeno, cinquenta reais, às vezes cem, vinte reais que seja. O empréstimo vai atrair as pessoas que estão precisando de grana e vai se tornar o elo de uma rede, então pra você conseguir o empréstimo vai ter que vir aqui uma vez por semana participar do nosso café da manhã. A gente vai dar esse crédito pra várias mães de família. Essa ideia, sabe?, o dinheiro vai ser pouco, mas vai ser o elo de uma cadeia de confiança. É muito forte, simbolicamente, a pessoa guardar o dinheiro e pagar a gente, atrasar o cartão de crédito dela, mas os vinte reais do banco comunitário são os vinte reais do banco comunitário, isso de tornar pouco dinheiro muito simbólico. É muito potente em termos de criar coesão social. Nada disso do que tô falando foi feito. A gente fez um projeto foda e discutia muito, eu acreditei muito naquilo, me deu uma visão do que o dinheiro pode ser.

Aqui no Colaboratório o custo tá o mínimo possível, a gente libera totalmente o quanto a pessoa vai dar a mais, e aí quando a pessoa vê que o custo é muito baixo, ela percebe, “cara, eles tão tendo prejuízo na parada, eles tão pagando só o mínimo possível e tão tendo um trabalho fudido por trás”, e aí ela dá a mais. É muito forte você dar a mais ali, não tenho isso tão claro na minha cabeça, mas acho que é o elo básico. O Colaboratório começa quando você chega lá e dá a mais, e o custo tá assentado no mínimo. Não é um preço acertado por cima, pra já embutir a contribuição de todo mundo. Além de ser excludente, de as pessoas não poderem pagar, também não cria o sentimento de comunidade da parada, da autogestão.

Gabriel: E como é que vocês vieram pra Esdi pra reativar essa gráfica aqui? Não é uma coisa muito comum cair uma gráfica dessas nas mãos.

André: Então, tem pessoas maravilhosas, tem a Beta que é foda e resolveu apostar a vida dela nessa. A Zoy, a atual diretora aqui, que resolveu comprar a briga com todos os professores velhos, com a burocracia da UERJ, e falar que vai ser aberto, vai ser uma coisa nova, uma coisa criativa, a gente vai construir uma alternativa aqui. A Beta já trabalhava com a Zoy em um laboratório de antropologia e design que tem aqui na ESDI. Não conheço muito o trabalho delas mas esse laboratório é bem grande. E aí tinha essa oficina gráfica que estava às moscas, ou melhor, aos cupins e ao mofo. Muito pontualmente vinha algum professor tentar usar o espaço, todo ano acho. A Bianca, que reorganizou toda a tipografia, estava descrevendo o estado da gráfica em 2013. Ela falou que pegar a chave era meio caô, você entrava e era meio difícil de andar lá dentro. Não consigo imaginar o que é isso, mas era difícil de andar. Todo mundo que usava serigrafia não limpava nada. Uma cultura de nada, nenhuma cultura. E não tinha grana na UERJ pra pagar um técnico pra ficar lá. Você vai na PUC, ou em umas universidades de design fodaças, tem uma oficina linda, mas porque tem grana, tão pagando uma cara pra ficar lá, e já é uma relação… Você chega lá e alguém vai limpar sua sujeira, não é você que limpa. Você se sente de fora do espaço. A Bianca tava me falando que foi pra Saint Martin, na Inglaterra, fodaça a universidade, oficinas gigantes, mas ela não sentia que era dela o espaço, não sentia vontade de fazer várias coisas. Essa distância que fode o ensino. Na verdade, fode toda a pedagogia.

A Zoy assumiu no início de 2016, teve uma semana de aula e disparou uma greve. Todos os salários atrasados, não tinha limpeza, coleta de lixo, então começou uma greve que acabou se estendendo até agosto. O ateliê da gente, o 248, tava acabando e a Zoy chamou a Beta e falou, “você não quer começar uma coisa lá na oficina?”. Eu não tinha passado no mestrado do IPPUR, então tava mais puto ainda com a instituição formal, com a vida normal. Porque eu tentei, abandonei todos os sonhos e falei, vou fazer um mestrado careta, vou lá pro planejamento urbano assistir aula de novo, fazer uma tese e ficar dentro da Torre de Marfim. E eles me recusaram. Eu achei que era fodaço, que eles iam me beijar e fiquei muito chocado com isso. As opções que eu já tomei tão virando definitivas, sabe? Achei que era só clicar e voltar pros braços da academia, mas não foi assim, então fiquei muito puto e comprei cinco impressoras. Então a Suco vai realmente preencher as três frentes, ela vai pro PPGAS fazer a social, vai publicar o panfleto do vale transporte, vou fazer tudo virar gráfica. E nisso a minha namorada tava no intercâmbio, então tava mais maluco ainda. Tava nesse contexto, muito frustrado com as alternativas da parada, e aí a Beta falou, “chega lá na Esdi”, e eu falei, “já é”. Levo uma das impressoras pra lá, uma levo pro PPGAS, uma vai pra Viviane da Cidade de Deus. Acabou que aqui foi ficando muito legal, porque a gente conheceu a Dani, a Daniela Tinoco, que abraçou a ideia. A Esdi tem a tradição de um Centro Acadêmico muito forte não partidário e um pensamento muito forte de autogestão. Coincidiram várias frustrações. Porra! A gente fica falando da autogestão mas ninguém assume.

Gabriel: E você sabe me explicar como funciona o dinheiro, as pessoas pagando, as finanças, como é que você organizou as finanças?

André: No início a gente fechava o cofrinho de mês em mês, até dezembro foi assim. A gente fez um gráfico, uma prestação de contas, bem essa parada da transparência, e o gráfico tá lá até hoje, embora ele tenha parado em dezembro.  Esse ano ainda não rolou mais. Ele já mostrou a que veio, o projeto, e até quando foi ter o evento Esdi Aberta aqui, uma galera que nem conhecia a gente da associação de ex-alunos viu o gráfico e falou “vocês não querem fazer a gestão financeira do evento?”. Então aquele gráfico já colocou a gente numa parada aqui com a Esdi. Você perguntou como é que anda o dinheiro, como é que funciona…

Gabriel: É, como é que funciona, a gente tá falando da história e tal, queria perguntar se você consegue explicar o funcionamento mesmo, prático, cotidiano, dessa reeducação…

André: Poderia ter criado meio que uma bola de neve, pouco dinheiro e ir crescendo, acho que poderia, mas desde a Suco eu coloquei uma grana de início. A ideia é que eu seja excluído disso, que essa função acabe. Recentemente fiz um último aporte de dinheiro e declarei que não coloco mais dinheiro nessa parada, espero que se mantenha assim. Talvez comece a colocar dinheiro na marcenaria. Mas espero que não. Teve uma grana inicial que comprei um monte de papel, um monte de tinta, as impressoras. Mas teve muita parada que veio do ateliê também, que era uma grana coletiva: guilhotina de mão, cola, tesouras. Mas isso só pra dizer como começa, né. Ano passado tinha uma gestão bem organizada das finanças. As pessoas vão colocando dinheiro no cofrinho, e quando acaba o papel tem que comprar papel, aí eu já tinha comprado papel e tinha um estoque de papel meu guardado ali. O Colaboratório comprava de mim duas resmas, a gente tirava do potinho que todo mundo coloca dinheiro e que é sagrado. Ninguém tirava dinheiro dali, só troco, de repente a gente enfiava a mão ali e tirava dinheiro. Pra ritualizar isso tinha uma planilha que a gente anotava, compra de papel, tal e tal, tanto dinheiro saiu do cofrinho. Qualquer dinheiro que sai do cofrinho você tem que anotar, o que entra ninguém anota mas o que sai você anota. Isso era com o papel, e a tinta a mesma coisa. Tinha um monte de tinta que eu tinha comprado, então quando a tinta tava acabando o Colaboratório comprava de mim.

Saía dinheiro do potinho, anotava lá na planilha e me reembolsava. Chegava no final do mês a gente pegava toda a grana, esvaziava totalmente o cofrinho e via quanto tinha sido lançado no papel e na tinta. Assim a gente via quanto dinheiro tinha rolado e fazia o fechamento do mês lá no gráfico, que era: foi tanto dinheiro pro papel, já foi, foi tanto dinheiro pra tinta, que também já foi, e esse dinheiro vivo que sobrou aqui? Aí reservava um pouco pra manutenção da impressora, porque uma máquina tem uma vida útil. Reservava isso baseado na quilometragem da impressora, ela imprime um relatório de quanto foi impresso e um por cento do número de paginas é o centavos que a gente guarda. Sei lá, uma equação assim. Então se ela imprimiu 10 000 folhas guardei dez reais. É uma coisa assim, não lembro exatamente a proporção. A gente sempre foi guardando e nunca usou essa grana. Mas então, teve uma grana que foi pra tinta, pro papel, pra manutenção e às vezes a gente guardava um pouquinho pro Colaboratório comprar cola. O resto a gente dividia sempre. Todo mês a gente dava, sei lá, oitenta reais, que tinha sobrado mesmo, e dividia entre nós. E isso não pagava nem a passagem de ônibus de cada um. Aí era uma metodologia que a Carol e a Beta trouxeram lá do pessoal da comunicação não-violenta. Uma outra genealogia de autogestão, né, essa mais recente, a galera reinventando a parada. E aí tem essa metodologia que é: coloca todo o dinheiro em cima da mesa, e aí fala, ó, 80 reais, somos 4 pessoas…

Gabriel: 4 pessoas que são os zeladores né…

André: São os zeladores. A gente definiu quem eram os zeladores, mas deixa eu só falar das finanças e aí falo desse grupo. Temos 4 pessoas aqui que são os zeladores, 80 reais dividido por 4 daria 20. Mas, porra, o Arthur ficou aqui o mês inteiro, o Gorini só vem aqui e bagunça tudo, a Dani tá aqui às vezes… Mas… Ah, sei lá, a Carol tá muito dura de grana, ela tá muito fudida e se tiver quarenta reais vai ajudar muito sabe, e eu… Tudo bem que já são cinco pessoas. E eu sou burguês, tenho grana, não preciso dessa grana. Então várias vezes rolava essa discussão, e aí ficava, mas porra André, você não vai ganhar nada, sabe? Tem que ganhar sim, porque… Enfim, você discute o dinheiro de uma maneira muito maluca, porque as pessoas tão falando como é que tá a vida financeira delas, ou recapitulando o que foi feito no mês, quanto cada pessoa fez. Teve um mês que tava a Aline vindo e ajudando a serigrafia, aí ela ganhou, sei lá, 15 reais, 30 reais. A partir daí a Aline ficou “sou zeladora também, vou consertar a serigrafia”… Não é nem empoderamento a palavra, é tipo: olha aqui, toma esse dinheiro. Não sei, quando você recebe por um trabalho você é tão valorizado. Nem que seja quinze reais… Eu fui na ocupação da PUC, fazer uma gazeta lá, e aí eles me deram quinze reais, “hoje você tem seu almoço pago”. Cara, eu me senti muito bem, fiquei, caralho!, a galera tá contando as moedinhas. Eu nem preciso desse dinheiro, mas achei tão simbólico. Você vai comer de graça, você não vai pagar pra comer. Economia da dádiva… Até nesse caso era bem a comida, você não precisa pagar pra comer, você é da casa. Então ano passado era bem organizado. A gente sempre fazia isso, o nome é em inglês, money pile. Odeio termos em inglês, só ofuscam a nossa compreensão, mas sempre tinha essa pilha de dinheiro e a gente ficava tentando incluir mais pessoas nessa, em quem vai participar do ratatá. Por isso a gente falava, tem uma vanguarda, um grupo de zeladores, mas ela é porosa e includente, sabe, a fronteira é borrada. Tem uma centralização, mas ela é borrada…

Gabriel: Como a escolha dos zeladores é feita? Nível de engajamento das pessoas no projeto?

André: A gente sempre tenta chamar todo mundo que pode se dizer engajado. Óbvio que já é uma arbitrariedade, mas a gente chama muitas pessoas e muitas pessoas falam, “não, eu não fiz quase nada”. Mas aí ela tá dizendo, então já dá uma autonomia de cada pessoa ter sua voz, de falar ali no processo. Mas isso sempre é uma construção, uma investigação. Desde dezembro esse ratatá não era feito, e a gente resolveu fazer um grande ratatá com todo mundo. Algumas pessoas ainda não pegaram o dinheiro, já se tornou impossível todas as pessoas estarem presentes. E foi muito maluco esse ratatá grande porque você vai dar a proporção do dinheiro pra cada pessoa, é uma meritocracia ou o que é isso?

 Gabriel: A galera briga?

André: Não, não

Arthur: Mas é uma negociação de posições, né? Dependendo de uma série de fatores, se a pessoa tá precisando mais, se a pessoa tá precisando menos…

André: Nesse momento de falar sobre o dinheiro de uma maneira tão envolvida… Tem uma parada que eu percebi assim, talvez agora isso vá mudando, mas até agora não tem nenhum aluno cotista lá no Colaboratório. Talvez agora sim, tem uma menina que começou a chegar mais junto, mas ninguém ali precisa muito dessa grana, até porque tá vindo na Esdi trabalhar numa parada aleatória, no meio da greve. Não é um momento tão tenso assim essa divisão da grana. Pode ainda vir a se problematizar muito mais. E agora vários dinheirinhos tão rolando, né. Teve o Dia Tipo, uns cadernos que a gente fez prum evento de tipografia que deram mil reais. A gente tá publicando a galera lá do CAPS que é do lado do PINEL. Tem vários dinheirinhos rolando. Tem o João Pedro, por exemplo, que nem é daqui, ele namora a Laís que é da Esdi, mas ele chegou um dia aqui, a gente tava fazendo um mutirão de livro, e aí ele nem tinha vindo fazer nada, vinha almoçar com ela, mas tava todo mundo encadernando, e aí, pô, que maneiro encadernar, não sei que, e aí ficou o dia inteiro encadernando, aprendendo a fazer todas as fases do livro, e todo mundo falando várias paradas de autogestão, e aí no final do dia, eu pego um envelope de dinheiro, coloco em cima da mesa e a gente divide entre nós e ele fica, “caralho, ganhei 70 reais”, e aí ele não saiu mais daqui, ele ficou, “esse é o futuro”.

Gabriel: Mas tem esse negócio que tava te falando outro dia do dinheiro, que é a troca meio abstrata…

André: Eu tinha uma viagem assim, de que existem três tipos de grana: existem as cédulas de dinheiro, o dinheiro papel, entre uns cinquenta e uns oitocentos reais, é meio que uma parada nessa escala. Tem uma economia de cédulas que as pessoas se emprestam. Posso até te emprestar, sei lá, cem reais. Isso é uma coisa que rola, é uma economia que as pessoas prestam atenção. Tem a economia das moedinhas, que é foda-se, a economia das moedinhas é foda-se. Faltam 40 centavos pra passagem, aí uma pessoa que você nem conhece te dá. Ou tá 3,80 a passagem, o trocador dá 25 centavos de troco, isso vive acontecendo, eu dou 4 reais, o cara dá 25 centavos, a passagem é 3,80. Ele acabou de me dar cinco centavos. Foda-se, sabe. Vivo encontrando moedas de cinco e dez centavos no chão. A economia das moedinhas, do trocado, é um muito abundante. Todo mundo se dá moedinhas, e é engraçado que é o que a gente mais recebe. O cofrinho  vem pesado de moedas e de notas de dois reais. Notas altas são raras. O terceiro nível são as cifras. Milhões, bilhões, contas bancárias, que aí eu não empresto pra ninguém. É o patrimônio, é a minha casa. Eu acredito que tem esses três níveis do dinheiro que são entendidos socialmente de maneiras diferentes. Quando a gente estabelece que é uma economia de moedinha, e a partir daí que começa… Não é uma economia do médio, é a economia do barato, tudo vai ser barato. Todas as relações são pagas. 

Gabriel: Vamo falar das gazetas.  O que me chamou atenção na Suco foi essa parada, de que é tudo internet só que materializado. Um processo que começava numa gama de coisas, numa universalidade, as pessoas viajando em todos os níveis, fazendo qualquer coisa com pedra, por exemplo, jogando amarelinha, indo buscar pedra na rua, pra depois, dez, doze, dezesseis horas depois se tornar uma coisa de oito páginas, com folhas inteiras sem autoria determinada. As pessoas mudando, indo embora, voltando… É mó viagem, né.

André: Essa coisa de as pessoas mudando bate muito com a autogestão, né. Você ter que deixar registros do que você fez no espaço. Se vocês forem lá, tiverem umas ideias fodas de pedra, viajaram, discutiram, vão embora e só conectaram dois gravetos. Aí chega uma galera que tá a fim de ficar até o final e fala, “cara, porra, dois gravetos, e daí?”. Não passou nada, se perdeu uma grande riqueza, um grande trabalho ali.

Não tô lidando tanto com isso agora, das publicações, de processo, mas acho que isso é uma outra conversa, a morte do autor, cortar a autoria… E essa viagem, do que é o papel, o que é um papel escrito, que disseram que tava sumindo. Os jornais, que eram o papel mais produzido em alta escala e diariamente, estão deixando de ser papel. O dinheiro também, que é outro papel fodaralhaço de ser produzido em alta escala, infalsificável, também tá deixando de ser produzido. Tenho uma longa viagem que tento investigar, procurei teóricos e não achei, se vocês conhecerem, eu quero. Acho que tinha formulado uma coisa assim, sei lá: na Idade Média, o que era escrito e que funções desempenhava naquela sociedade? Que poderes são agenciados por esses objetos, pelo papel escrito? Como as mudanças no meio de produção do escrito, cada vez mais inclusivos, o que eles mudam nos poderes, na capacidade? O que é um papel, sabe? Porque as pessoas acham que digital é o máximo, vai substituir tudo, mas se eu te entrego… Se te falo agora, “cara, olha o link lá que mandei”, sei lá se você vai olhar. Mas se te entrego um papel, “aqui a revista que fiz”, você vai tá no ônibus, sabe…  E eu te dei uma parada, isso tem um simbolismo! Você sabe o que é um objeto, o que é um custo, porque é matéria. Você pode perder, você pode estragar, você pega e rasga na minha frente. Vai se fuder, é uma parada muito potente. O que é um papel, né?

Gabriel: Você não tem nenhum pudor de usar papel…

André: Cara, considero que a gente tá usando o papel muito bem. Eu sempre pentelho todo mundo pra imprimir frente e verso, fico muito puto quando as pessoas tão imprimindo umas paradas que nem vão ler. Mas quem sou eu pra impedir elas de imprimir.  Acho que a gente devia reciclar papel, embora seja bem cético com o que pode vir daí. Acho que a parada é passar adiante o que chegou a você, ter a cultura da partilha. E vamos fazer papel foda. Acho que as publicações que a gente faz são muito boas. Mas até tava aqui outro dia uma menina do primeiro ano, muito legal a galera do primeiro ano já tendo contato com essas questões, que aí talvez eles resolvam e me expliquem. Eu tinha entregue uma proposta de destinação dos lucros do evento que fiz a gestão financeira. Fiz ele ser autogerido, fazendo um mural, levantamentos e tal. Aí entreguei e fiz uma revistinha que era: o que fazer com o lucro. Qual lucro que é, de onde ele veio, pra onde a gente pode usar ele, o que a gente teria se a gente usasse…  Imprimi uns 40 exemplares e fui dando a torto e a direito aqui. Aí duas semanas depois rolou uma assembleia e tava todo mundo superinformado do tema. Todo mundo decidiu. Fiz meu trabalho. E aí teve essa menina que falou, “eu levei pra casa e mostrei pra minha mãe, minha mãe leu e opinou, e aí mostrou pro meu pai e meu pai…”.  Se fosse um link, sabe? Mas eu ainda não entendo muito bem, acho que é muito misterioso, e daí, dá-lhe Hermes Trismegisto.

¹Segundo André, “suco é uma revista feita em um dia, cujo foco é experimentar a criação coletiva, sem barreiras de hierarquia ou autoria, livre ainda da finalidade que dá se pudesse ser vendida. é um projeto auto-falido em que a regra é “vale roubar”. não pode ser digitalizada, nem vendida, nem ser chata. tesouras tesouras tesouras. xerox”

Junho de 2019

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