dois poemas de Matheus Mendes
poesia

dois poemas de Matheus Mendes

Queima Nacional

por Matheus Mendes

 

Canta a Deusa às Musas invertidas
A cólera de Lethes, a moderna filha:
Museográfica flama, ars do passado,
Da ruína da história, um esquecimento
Da Memória. Musa chorada sob fina chuva
Em pira melancólica que fabrica a imagem
Nua de um edifício sedimentado pelo barro
Movente da chama. Se chamado o Verbo, a Ira
De Ares, mártir das mínimas e simplórias
Tragédias humanas. Mítica ode que Luzia
Em final silencioso os estalidos consumidos
À cova rasa desse segundo genocídio,
A convivência com o passado (um estampido)

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Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba
pensamento / poesia

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo

por Priscila Alba

 
Nada-menino, uma vez era. Nada, na medida em que passava e engrandecia, sentiu-se sozinho, quis conversar. Quis conversar, mas percebeu que ele, Nada, sozinho estava. Indagou:

– Por quê esta solidão?

Nada pensou e, ao pensar, concluiu:

– Se me chamo Nada e me sinto sozinho, procuro alguém e não acho… Creio que, outro Nada, não deve haver. Continue reading »

Linguagem e computadores inteligentes: entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza
entrevista

Linguagem e computadores inteligentes: entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza

Linguagem e computadores inteligentes

entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza

 

Os computadores, ao contrário das pessoas, não têm a capacidade de imaginar (ou de “antecipar”) coisas, mas apenas de “prevê-las”. A diferença entre previsão e antecipação aparece quando vemos que previsões são feitas com base em modelos estatísticos ou causais, por exemplo, enquanto que o que imaginamos ou “antecipamos”, vem, em sua maior parte, das nossas emoções (desejos e medos), intuições e ponto de observação da realidade, enriquecidos (embora não necessariamente) por probabilidades e causalidades que conhecemos. Ou seja, a nossa linguagem humana nos permite ‘inventar realidades’ e estabelecer, com a própria linguagem, regras e convenções para interpretá-las, reagir a elas, e usá-las. Computacionalmente, esta capacidade é, na melhor das hipóteses, muitíssimo limitada.
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Variações sobre o Matriarcado
pensamento

Variações sobre o Matriarcado

Variações sobre o Matriarcado

por André Aranha

 
Uma criança adentra, pé ante pé, o quarto onde sua mãe está a dar à luz; em meio à surdez dos gemidos, à cor berrante e o sangue, ela percebe, quiçá como primeira vez, que possui um umbigo.

Pois a criança refaz, mentalmente, da cicatriz em seu ventre, o cordão carnal, que um dia a ligou à carne duma primeira mulher, e a encheu daquele sangue que ora se multiplica em suas veias. Continue reading »

A menor bandeira brasileira do mundo e outras obras, por Wesley D’Amico
artes visuais

A menor bandeira brasileira do mundo e outras obras, por Wesley D’Amico

“[…] Foi aí que comecei a trabalhar com madeira industrializada, comecei a fazer quadros de madeira, móveis, ramos de flores, dragões, cavalos, beija flor, e aos poucos fui criando novas ideias como arte em painéis, Eu ia fazendo e colocando no salão, não tinha muita procura, mas fui estocando, usava o resto de tinta que … Continue reading »

Além da visualidade: entrevista com Jaider Esbell
entrevista

Além da visualidade: entrevista com Jaider Esbell

Além da visualidade

entrevista com Jaider Esbell

 

Inserção e arte indígena contemporânea estão mesmo juntos, mas busco deslocá-lo para o recorte espacial do termo enquanto origem e fluxo, logo, busco vê-los no grande mundo compondo o desfio de fazer-se pleno em sua intenção maior e mais urgente. Dar vazão ao existir pleno dos seus artistas eis a arte indígena contemporânea que não é sem uma base, um compromisso, um pertencer em duas frentes com o povo. Continue reading »

Rizoma: Teste do Estilhaço
pensamento

Rizoma: Teste do Estilhaço

Pode-se dizer que samplear, fazer loops, re-montar tanto materiais encontrados quanto sons site-specific selecionados, por precisão ou relevância, para as implicações de mensagem de uma peça de música, ou uma exploração transmídia, é um fenômeno TodAlquímico, mesmo Mágiko1. Não importando quão curto, ou aparentemente irreconhecível, um sampler deve estar na percepção linear do TEMPO, ele … Continue reading »

Fuck off Google – Comitê Invisível
mídia

Fuck off Google – Comitê Invisível

1. NÃO HÁ “REVOLUÇÕES FACEBOOK”, MAS UMA NOVA CIÊNCIA DE GOVERNO, A CIBERNÉTICA Poucos conhecem a genealogia e, no entanto, vale a pena conhecê-la: o Twitter provém de um programa denominado TXTMob, inventado por ativistas norte-americanos para, através do celular, se organizarem durante as manifestações contra a convenção nacional do Partido Republicano de 2004. Esse … Continue reading »

Mary Lou Williams – Black Christ of the Andes
instantâneos

Mary Lou Williams – Black Christ of the Andes

Mary Lou Williams foi uma genial pianista, compositora e arranjadora de jazz norte-americana. Nascida no início do século XX, Williams compôs e arranjou obras-primas através das diferentes eras do jazz – suas músicas eram tocadas pelas orquestras de nomes como Duke Ellington, Cab Calloway e Benny Goodman.  Além disso, foi mentora e professora dos então … Continue reading »

Editoras Independentes e Trabalho Artístico
mídia

Editoras Independentes e Trabalho Artístico

Mercado e economia editorial A análise das configurações das editoras independentes relacionam-se às transformações promovidas pelas tecnologias da informação e da comunicação, assim como são parte de um contexto mais amplo que informa o movimento de legitimação, proeminência e conveniência da cultura e do entretenimento dentro da cadeia produtiva recente, enquanto importante esfera econômica e … Continue reading »

Revistas de Invenção
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Revistas de Invenção

Da antropofagia à vanguarda russa, atravessando as contraculturas no Brasil, França e Estados Unidos, estas revistas publicadas originalmente em tiragens reduzidas acabaram ainda mais raras com o tempo. Agora, estão todas disponíveis digitalmente. A importância histórica de reunir nomes consagrados, como Oswald de Andrade, Maiakovski, Stepanova, Carlos Drummond de Andrade, Eisenstein, Lygia Clark, Robert Crumb, … Continue reading »