pensamento / tradução

A Feitiçaria Capitalista – Minions

Minions é o quinto capítulo do livro A Feitiçaria Capitalista: Receitas para quebrar feitiço, de Isabelle Stengers e Philippe Pignarre. Este capítulo foi originalmente publicado em francês com o título Petites mains, mas optamos por utilizar sua tradução em inglês, Minions, por ressoar com o sentido que o termo recententemente assumiu no Brasil. Em continuidade … Continue reading »

poesia

Alguns poemas

Alguns poemas

Por Gabriela Perigo

 

sem internet na cidade capital do sol. com chuva. há dias. organizar os pensamentos questão de v1d4 ou morte. sob risco. apalpar as urgências, mesmo criá-las novas e de novo. a cabeça debaixo d`água numa piscina azul que reluta aceitar a condição de bacia e transborda. as bordas. mais de 1 minuto debaixo dágua tentativa e erro. submersão abrutalhada respiração feita do parto escute – o som é iletrável – puxe o ar com força e susto-agora. impressão de nascer de novo sob o contorno de outras águas. Continue reading »

Conversa nº2: André Aranha
entrevista

Conversa nº2: André Aranha

Conversa nº2: André Aranha

 

no dia quatro de maio de 2017, no final da tarde, eu e arthur nos reunimos com andré em volta da mesa do centro acadêmico da primeira escola (é o que dizem) de desenho industrial da américa latina. conversamos sobre as possibilidades de experimentação gráfica e liberdade de organização traduzidas no Colaboratório, oficina que, durante alguns poucos anos na ESDI, tentou construir um espaço autogestionado de diálogo e criação, reativando um antigo e abandonado laboratório nas dependências da Escola. lá nos eram disponibilizados alguns interessantes equipamentos, como uma grande guilhotina, uma máquina de serigrafia, uma tipografia, etc. durante algum tempo, o Colaboratório foi um espaço de troca e de construção de outras possibilidades de produção.
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poesia / USINA impressa

epígrafe

epígrafe

Por Gabriel Gorini

 

quem de ferro fere o fogo quem
de quase fura o corpo qual
carícia em tempo firme
qual malícia escapa à
sorte seremos nós guerreiros
do apocalipse seremos
nós milícias do fim do
mundo seremos nós pagãos
adictos organismos febris
espíritos abandonados
seremos nós visão do amanhã
predispostos ao ocaso Continue reading »

Conversa nº1: Aline Besouro
entrevista

Conversa nº1: Aline Besouro

Conversa nº1: Aline Besouro

 
sentamos num canto inexplorado proposto por aline e conversamos. aline gravava algumas de suas telas no colaboratório e interrompeu o trabalho para conceder a presente entrevista. ao som de sopranos e contraltos da escola de música da universidade do brasil, falamos de memória, registro, roupa, civilização, política, arte, identidade… aline é uma presença, e nas diversas vidas que viveu já assumiu diferentes identidades, naquele estilo que drummond cantou: “um jeito só de viver/mas nesse jeito a variedade,/ a multiplicidade toda/ que há dentro de cada um”. Continue reading »

poesia

Nós Dois Cantando Sidney Magal Na Feira De São Cristóvão

Nós Dois Cantando Sidney Magal Na Feira De São Cristóvão

Por Valeska Torres

 

Para Fernando

estação da Penha
desemboco perdida na linha de fuga, percebo
-como se percebem os furos de tatuí na areia de grumari –
o grão de purpurina no fim do carnaval
são quatro por dois isso que inflama o meu peito
não chupo a espinha do peixe,
não como mocotó Continue reading »

literatura

a quarta estação

a quarta estação

por Irene Baltazar

 

eram ferozes, feras ferozes, que vinham sentiam o piscar dos olhos, as pálpebras dobrando, arrefecendo. nisso que saíram, aos poucos, casais de muitos tipos, os dentes sobrando pra fora, a boca mordida pra dentro, lábios carnudos. vultos ou sombras, aquilo que se espiava, o mudo o mudo barulho que se ouvia

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Museus no século XXI, mídias digitais e compartilhamento de autoridade (Parte I)
artes visuais

Museus no século XXI, mídias digitais e compartilhamento de autoridade (Parte I)

Museus no século XXI, mídias digitais e compartilhamento de autoridade (Parte I)

por Alice Noujaim Teixeira

 
O que afeta essas lógicas de exposição são as demandas por representatividade e por divisão de autoridade curatorial sobre exposições. Aqui, também é relevante lembrar que à medida que povos indígenas do mundo todo passam a popular o mundo digital, coleções etnográficas também necessitam se adaptar a esses novos tipos de artefatos.
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literatura / poesia

pequena história mental nº42

pequena história mental nº42

por Antonio Rodrigues

 

meu segredo é não reclamar de nada
é seguir a vida
como a vida é
os outros que me perdoem, as mulas que me
abençoem
são nossas as nossas dores
eu que não sei dizer
se aquilo que vi se aquilo que sei
não sei mais
o que dizer se aquilo que não vi nem
sei pode ter pode ser o privilégio de
mim
aqui onde se faz onde se paga mas não sei
quanto a alguns quanto a muitos
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei aqui se faz aqui se paga
eu não sei

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dois poemas de Matheus Mendes
poesia

dois poemas de Matheus Mendes

Queima Nacional

por Matheus Mendes

 

Canta a Deusa às Musas invertidas
A cólera de Lethes, a moderna filha:
Museográfica flama, ars do passado,
Da ruína da história, um esquecimento
Da Memória. Musa chorada sob fina chuva
Em pira melancólica que fabrica a imagem
Nua de um edifício sedimentado pelo barro
Movente da chama. Se chamado o Verbo, a Ira
De Ares, mártir das mínimas e simplórias
Tragédias humanas. Mítica ode que Luzia
Em final silencioso os estalidos consumidos
À cova rasa desse segundo genocídio,
A convivência com o passado (um estampido)

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Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba
pensamento / poesia

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo – por Priscila Alba

Breve história da cri-(a)-ção do Mundo

por Priscila Alba

 
Nada-menino, uma vez era. Nada, na medida em que passava e engrandecia, sentiu-se sozinho, quis conversar. Quis conversar, mas percebeu que ele, Nada, sozinho estava. Indagou:

– Por quê esta solidão?

Nada pensou e, ao pensar, concluiu:

– Se me chamo Nada e me sinto sozinho, procuro alguém e não acho… Creio que, outro Nada, não deve haver. Continue reading »

Linguagem e computadores inteligentes: entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza
entrevista

Linguagem e computadores inteligentes: entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza

Linguagem e computadores inteligentes

entrevista com Clarisse Sieckenius de Souza

 

Os computadores, ao contrário das pessoas, não têm a capacidade de imaginar (ou de “antecipar”) coisas, mas apenas de “prevê-las”. A diferença entre previsão e antecipação aparece quando vemos que previsões são feitas com base em modelos estatísticos ou causais, por exemplo, enquanto que o que imaginamos ou “antecipamos”, vem, em sua maior parte, das nossas emoções (desejos e medos), intuições e ponto de observação da realidade, enriquecidos (embora não necessariamente) por probabilidades e causalidades que conhecemos. Ou seja, a nossa linguagem humana nos permite ‘inventar realidades’ e estabelecer, com a própria linguagem, regras e convenções para interpretá-las, reagir a elas, e usá-las. Computacionalmente, esta capacidade é, na melhor das hipóteses, muitíssimo limitada.
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Variações sobre o Matriarcado
pensamento

Variações sobre o Matriarcado

Variações sobre o Matriarcado

por André Aranha

 
Uma criança adentra, pé ante pé, o quarto onde sua mãe está a dar à luz; em meio à surdez dos gemidos, à cor berrante e o sangue, ela percebe, quiçá como primeira vez, que possui um umbigo.

Pois a criança refaz, mentalmente, da cicatriz em seu ventre, o cordão carnal, que um dia a ligou à carne duma primeira mulher, e a encheu daquele sangue que ora se multiplica em suas veias. Continue reading »

A menor bandeira brasileira do mundo e outras obras, por Wesley D’Amico
artes visuais

A menor bandeira brasileira do mundo e outras obras, por Wesley D’Amico

“[…] Foi aí que comecei a trabalhar com madeira industrializada, comecei a fazer quadros de madeira, móveis, ramos de flores, dragões, cavalos, beija flor, e aos poucos fui criando novas ideias como arte em painéis, Eu ia fazendo e colocando no salão, não tinha muita procura, mas fui estocando, usava o resto de tinta que … Continue reading »

Além da visualidade: entrevista com Jaider Esbell
entrevista

Além da visualidade: entrevista com Jaider Esbell

Além da visualidade

entrevista com Jaider Esbell

 

Inserção e arte indígena contemporânea estão mesmo juntos, mas busco deslocá-lo para o recorte espacial do termo enquanto origem e fluxo, logo, busco vê-los no grande mundo compondo o desfio de fazer-se pleno em sua intenção maior e mais urgente. Dar vazão ao existir pleno dos seus artistas eis a arte indígena contemporânea que não é sem uma base, um compromisso, um pertencer em duas frentes com o povo. Continue reading »

Rizoma: Teste do Estilhaço
pensamento

Rizoma: Teste do Estilhaço

Pode-se dizer que samplear, fazer loops, re-montar tanto materiais encontrados quanto sons site-specific selecionados, por precisão ou relevância, para as implicações de mensagem de uma peça de música, ou uma exploração transmídia, é um fenômeno TodAlquímico, mesmo Mágiko1. Não importando quão curto, ou aparentemente irreconhecível, um sampler deve estar na percepção linear do TEMPO, ele … Continue reading »