Conversa nº7 – Lucas Lugarinho

Conversa nº7 – Lucas Lugarinho

 

vi lucas lugarinho poucas vezes na minha vida, talvez duas ou três. a última delas há aproximadamente cinco anos atrás, no início do processo da USINA impressa. agora, num já longínquo 2019, conversamos à distância, pela internet: ele em algum bairro que não conheço da cidade do méxico e eu em copacabana, na casa do arthur. lugarinho vive no méxico faz uns anos e talvez não seja à toa que nosso contato tenha virtual, como se fizesse mais sentido tratar dessa maneira algo que aparece com frequência em suas meditações: a encruzilhada entre virtual e real, simulação e verdade. Continue reading »

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Conversa nº6 – Gabriela Cordovez

Conversa nº6 – Gabriela Cordovez

 

encontrei com a gab ali perto do ccbb, em abril de 2018, no mesmo lugar que um tempo antes tinha encontrado o jandir jr. sentamos num banco perto do que um dia foi a pira olímpica e, com calma, conversamos… conheci a gab no início da faculdade, ali no largo de são francisco. ela andava dançando pelos corredores do IFCS. não uma dança óbvia e nem espetacular, muito menos consciente (no seu sentido mais técnico): uma dança que era um andar, um passo atrás do outro – de quem caminha assim mesmo, dançando. Continue reading »

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Conversa nº5 – Leonardo Marona

Conversa nº5 – Leonardo Marona

 

encontrei leo num momento difícil do dificílimo ano de 2018. na semana anterior victor heringer tinha feito a passagem e um ou dois dias depois marielle seria assassinada. cheguei na livraria da travessa de botafogo mais pro final da tarde quase noite. conversamos ali dentro, numa espécie de jardim de inverno muito utilizado pelos fumantes, eu acho. leo joga nas onze e já publicou livros de poesia, conto e romance. além disso, é o cantor da Dibuk Motel e trabalha há anos como livreiro Continue reading »

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Conversa nº4 – Adelaide Ivánova

Conversa nº4: Adelaide Ivánova

 

esta entrevista foi feita em dois dias diferentes, com pouco mais de uma semana de diferença entre eles. no dia 31 de julho de 2018, ano da morte de marielle e da queima do museu nacional, encontrei adelaide ivanova em berlim, onde tinha ido para visitar minha mãe. no dia mais quente do ano, fomos, junto com naomi baranek e victinho vasconcellos, ao krumme lanke, um famoso lago da cidade, e talvez o mais agradável de todos. sentamos na areia e, depois de um mergulho, começamos a conversar.
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De grossos muros – Hilda Hilst

XX

por Hilda Hilst

 

De grossos muros, de folhas machucadas
É que caminham as gentes pelas ruas.
De dolorido sumo e de duras frentes
É que são feitas as caras. Ai, Tempo

Entardecido de sons que não compreendo.
Olhares que se fazem bofetadas, passos
Cavados, fundos, vindos de um alto poço
De um sinistro Nada. E bocas tortuosas

Sem palavras.

E o que há de ser da minha boca de inventos
Neste entardecer. E do ouro que sai
Da garganta dos loucos, o que há de ser?

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Interpretação – poema de Priscila Alba

Interpretação

poema de Priscila Alba
 
Ler,
Não como quem lê o texto,
Não como quem lê um texto,
Não como quem lê.
 
Ler,
Como quem lê o texto, branco.
Como quem lê um texto, alvo. Continue reading »

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Literaturas

Os Santinhos da João Afonso – conto de Alice Nin

Os Santinhos da João Afonso

conto de Alice Nin
 
Coloco os pés na luz e os olhos no chão da rua. Assim bem cedo, ou mais tarde, às vezes apressada, ando olhando para baixo, para frente, e para os lados. Antes que acabe essa minha pequena rua de paralelepípedo percebo que o chão está cheio de pequeninos pedaços de papel. Alguns bem pisoteados outros intocados. São santinhos, imagens estáticas me olham e forram não só o chão, como o vidro dos carros e os fundos das caixas de correspondência. Nunca tem dois santinhos diferentes no mesmo dia, quando é dia de nossa senhora, é dia de nossa senhora. Não é aconselhável confundir os santos Continue reading »

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Arte Individual – tradução de manifesto de Edith Södergran por Cecília Schuback

Arte Individual

tradução de manifesto de Edith Södergran por Cecília Schuback
 

O nome Edith Södergran deve soar estranho para ouvidos brasileiros. É desconhecido em todos os seus sentidos: tanto por não se saber quem é essa Edith como também pela fonética estranha, bizarra e até engraçada desse nome sueco. Edith, vindo do inglês Eadgyth, significa « guerreiro orgulhoso », enquanto Södergran diz, em sueco, « pinheiro do sul ». A pessoa Edith Södergran não é uma sueca típica, mas representa bem o seu nome. Em sentido poético, foi uma guerreira orgulhosa da taiga, pertencente aos pinheiros do sul: sempre buscando alcançar novos horizontes com as suas frases, palavras e imagens.
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Interpretação – poema de Priscila Alba

Interpretação

poema de Priscila Alba
 
Ler,
Não como quem lê o texto,
Não como quem lê um texto,
Não como quem lê.
 
Ler,
Como quem lê o texto, branco.
Como quem lê um texto, alvo. Continue reading »

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Conversa nº7 – Lucas Lugarinho

Conversa nº7 – Lucas Lugarinho

 

vi lucas lugarinho poucas vezes na minha vida, talvez duas ou três. a última delas há aproximadamente cinco anos atrás, no início do processo da USINA impressa. agora, num já longínquo 2019, conversamos à distância, pela internet: ele em algum bairro que não conheço da cidade do méxico e eu em copacabana, na casa do arthur. lugarinho vive no méxico faz uns anos e talvez não seja à toa que nosso contato tenha virtual, como se fizesse mais sentido tratar dessa maneira algo que aparece com frequência em suas meditações: a encruzilhada entre virtual e real, simulação e verdade. Continue reading »

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Conversa nº6 – Gabriela Cordovez

Conversa nº6 – Gabriela Cordovez

 

encontrei com a gab ali perto do ccbb, em abril de 2018, no mesmo lugar que um tempo antes tinha encontrado o jandir jr. sentamos num banco perto do que um dia foi a pira olímpica e, com calma, conversamos… conheci a gab no início da faculdade, ali no largo de são francisco. ela andava dançando pelos corredores do IFCS. não uma dança óbvia e nem espetacular, muito menos consciente (no seu sentido mais técnico): uma dança que era um andar, um passo atrás do outro – de quem caminha assim mesmo, dançando. Continue reading »

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Conversa nº5 – Leonardo Marona

Conversa nº5 – Leonardo Marona

 

encontrei leo num momento difícil do dificílimo ano de 2018. na semana anterior victor heringer tinha feito a passagem e um ou dois dias depois marielle seria assassinada. cheguei na livraria da travessa de botafogo mais pro final da tarde quase noite. conversamos ali dentro, numa espécie de jardim de inverno muito utilizado pelos fumantes, eu acho. leo joga nas onze e já publicou livros de poesia, conto e romance. além disso, é o cantor da Dibuk Motel e trabalha há anos como livreiro Continue reading »

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Conversa nº4 – Adelaide Ivánova

Conversa nº4: Adelaide Ivánova

 

esta entrevista foi feita em dois dias diferentes, com pouco mais de uma semana de diferença entre eles. no dia 31 de julho de 2018, ano da morte de marielle e da queima do museu nacional, encontrei adelaide ivanova em berlim, onde tinha ido para visitar minha mãe. no dia mais quente do ano, fomos, junto com naomi baranek e victinho vasconcellos, ao krumme lanke, um famoso lago da cidade, e talvez o mais agradável de todos. sentamos na areia e, depois de um mergulho, começamos a conversar.
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Eu-Mulher – Conceição Evaristo

Eu-Mulher

por Conceição Evaristo

 

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.

Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo

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Instantâneos

O Homem Correndo na Savana – Guilherme Vaz

Guilherme Vaz, mineiro de Araguari, foi um artista, pensador e músico experimental brasileiro. Precursor da arte conceitual e sonora no país, foi também responsável pela introdução da música concreta no cinema nacional. Formado pelo projeto original da Universidade de Brasília, do qual sempre foi entusiasta. Também se envolveu com o Grupo de Compositores da Bahia, em Salvador e participou da Unidade Experimental do MAM, no Rio de Janeiro. Continue reading »

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Música da China Antiga

A história da música da China é uma das mais antigas do mundo: os primeiros registros históricos (um instrumento de vento, chamado Xun) data de 7000 anos. Em 2002, a CRC – China Record Corporation, uma gravadora estatal da República Popular da China, lançou uma série em seu catálogo intitulada Chinese Ancient Music. A tarefa … Continue reading »

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Nancy Mangabeira Unger – Ecologia e Espiritualidade

A crise que hoje atravessamos é uma crise de visão de mundo, de civilização. É, portanto, uma crise de sentido, uma crise de caráter espiritual. Entendemos “visão de mundo” como trama de representações, conceitos e valores por cuja mediação os homens tecem sua inserção na vida. E é exatamente essa tessitura, ou esse paradigma que nos dias de hoje, em todos os países e em cada lugar, está como que esgarçada. Continue reading »

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Mary Lou Williams – Black Christ of the Andes

Mary Lou Williams foi uma genial pianista, compositora e arranjadora de jazz norte-americana. Nascida no início do século XX, Williams compôs e arranjou obras-primas através das diferentes eras do jazz – suas músicas eram tocadas pelas orquestras de nomes como Duke Ellington, Cab Calloway e Benny Goodman.  Além disso, foi mentora e professora dos então … Continue reading »

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Augusto dos Anjos – Poemas não recolhidos em livro pelo autor

De inexplicáveis ânsias prisioneiro
Hoje entrei numa forja, ao meio-dia.
Trinta e seis graus à sombra. O éter possuía
A térmica violência de um braseiro.
Dentro, a cuspir escórias. Continue reading »

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Maria Martins

Escultora fundamental no movimento surrealista, Maria Martins nasceu no Brasil mas passou a maior parte de sua carreira entre os EUA e a França, cumprindo o duplo papel de artista e embaixatriz. A escultora, que assinava apenas Maria, incorporou em suas obras a mitologia amazônica e a estética das religiões afro-brasileiras. A transformação de diferentes formas na metamorfose de figuras híbridas aparece frequentemente em suas esculturas… Continue reading »

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Alma no Olho (1973) – Zózimo Bulbul

“Alma no Olho” é um filme do cineasta Zózimo Bulbul, grande representante do cinema de invenção brasileiro.  Filmado sobre um fundo branco e com único ator (o próprio diretor), o curta atravessa alguns séculos de história: desde a África antes da invasão europeia até a vida de exclusão imposta ao negros na sociedade brasileira . … Continue reading »

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A arquitetura de Lina Bo Bardi

Lina Bo Bardi foi uma arquiteta modernista italiana, conhecida por seus trabalhos no Brasil, dentre os mais icônicos: o projeto da sede do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Sesc Pompéia, grandes referências para a arquitetura moderna do final do século XX. Continue reading »

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Textos recentes

Notas sobre a ninguendade – ensaio de Guilherme Maralhas

Notas sobre a ninguendade

ensaio de Guilherme Maralhas
 
Existe uma questão que antecede todas as outras. Às vezes a sentimos com clareza, nos desafiando; outras vezes só podemos suspeitá-la, abafada pelo alarido de um mundo cada vez mais técnico e informático. É certo que quando falamos em uma questão primeira, que antecede às outras, não é no sentido cronológico; ela não é uma questão que questionamos antes de todas as outras, é a questão que não podemos deixar de questionar em cada questionamento. Continue reading »

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É possível ser otimista numa pandemia?

É possível ser otimista numa pandemia?

Ensaio de Arthur Aguillar

 
Vivemos uma crise global, com um potencial de letalidade semelhante às grandes guerras. O impacto da crise, duplo, econômico e sanitário, expõe de maneira clara as contradições e sensibilidades no nosso modo de vida: a vulnerabilidade dos trabalhadores informais e da gig economy; a demanda por um Estado presente num mundo que rejeita o público e aquilo que é comum; o conflito e a sobreposição entre fato e opinião; nossa relação, tão confusa, com a carne, com os nossos e com a alteridade. Continue reading »

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Fragmentos

Poéticas Sincrônicas

Haroldo de Campos

 
Todas as idades são contemporâneas. O futuro começa a se agitar no espírito de alguns poucos. Isto é especialmente verdadeiro no caso da literatura, onde o tempo real independe do aparente, e onde muitos mortos são contemporâneos de nossos netos, enquanto que muitos de nossos contemporâneos parece que já se reuniram no seio de Abraão ou nalgum receptáculo mais adequado. Necessitamos de uma ciência da literatura que pese Teócrito e Yeats numa mesma balança, e que julgue os mortos enfadonhos tão inexoravelmente como os enfadonhos escritores de hoje, e que, com equidade, louve a beleza sem referência a almanaques.

Fragmentos

Instaurações de Mundos

Suely Rolnik

 
A cultura neste país evoluiria portanto por aliança, devoração e contágio, e não por linear filiação, o que contraria certas interpretações psicanalíticas que ao tomarem o modelo de subjetivação europeu, a-criticamente, como padrão, insistem na ideia de que nos faltaria uma sólida filiação, um pai fundador decente. O mapa destas alianças e contágios é um rizoma infinito que muda de natureza e rumo ao sabor das mestiçarias que se fazem na grande usina de nossa antropofagia cultural. Assumir e reafirmar a ética antropofágica como legado da tradição brasileira, é descartar qualquer ideia de identidade nacional.

Fragmentos

Emmanuel Carneiro Leão

A Criação

 
O instante de invenção da obra não apenas não se repete, como nunca se aprende. Todo instante se improvisa num risco e se arrisca numa improvisação. O instante de risco e improvisação se propõe nas experiências, nas tensões, nos impulsos de um traço, de um movimento, de um som, de uma presença, com todas as inseguranças, hesitações e ansiedades, mas também com toda a ousadia, aventura e o fascínio da criação de uma obra.

Fragmentos

O universo em que vivemos é eterno

Mário Novello

 
O universo não teve um instante único de criação, e sim, teve uma fase anterior colapsante (o universo colapsou), até atingir um raio mínimo, e aí, depois, começou a fase atual de expansão. Quer dizer, o universo se estenderia até o passado infinito, sem nenhum ponto singular que você pudesse identificar como sendo a origem, a menos desse raio mínimo, mas seria um raio mínimo de volume, de totalidade do que a gente chama de espaço e que não se identificaria com um ponto, quer dizer, um ente geométrico.

Fragmentos

Olhares Híbridos

Marcia Sá Cavalcante Schuback

 
Espaços híbridos são espaços constituídos por olhares híbridos, olhares onde o dentro já é fora, uma projeção de um eu sobre o outro, e olhares onde o fora já está dentro, introjeção do outro sobre um eu. São mecanismos estranhos esses mecanismos projetivos e introjetivos da visão e dos olhares, pois essa mistura ou hibridismo do eu e do outro nunca é total. É uma mistura entrecortada pela impossibilidade da mistura; um hibridismo entrecortado tanto pela dor como pela alegria da não integração. Essa mistura que não pega, esse hibridismo que não integra é como um vidro, o material mais concreto de uma integração que separa, de uma contiguidade que corta.

Fragmentos

Palavras dadas

Davi Kopenawa

 
Eu não tenho velhos livros como eles, nos quais estão desenhadas as histórias dos meus antepassados. As palavras dos xapiri estão gravadas no meu pensamento, no mais fundo de mim. São as palavras de Omama. São muito antigas, mas os xamãs as renovam o tempo todo. Desde sempre, elas vêm protegendo a floresta e seus habitantes. Agora é minha vez de possuí-las. Mais tarde, elas entrarão na mente de meus filhos e genros, e depois, na dos filhos e genros deles. Então será a vez deles de fazê-las novas. Isso vai continuar pelos tempos afora, para sempre.

Fragmentos

O deslitígio do universo

Guilherme Vaz

 
Estamos dizendo e afirmando que existem sinais de escrita entre os animais e que os seres denominados “árvores” detêm um tipo de conhecimento desconhecido para o homem. Estamos dizendo em todos os sentidos que todos os seres vivos possuem linguagem e mesmo os minerais a possuem. Em primeiro lugar, e mais importante, ela combate o antropocentrismo letal presente na cultura e na arte ocidental, onde cegos conduzem cegos por ruas de tráfego. Existem sinais claros de arte em todos os seres vivos, inclusive nos translúcidos. Estamos propondo o deslitígio do universo. Estamos propondo a convivência de todas as civilizações do universo, conhecidas ou não.

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Whole Earth Catalog

O mais importante documento da contracultura norteamericana, publicado entre 1968 e 1974. O Catálogo funcionou como um fórum para milhares de comunidades autônomas que surgiam pelos Estados Unidos. Ele articulou conhecimentos tradicionais indígenas, religiões e práticas orientais, substâncias alucinógenas junto com agricultura orgânica, teorias da cibernética e computadores. O WEC apostou nas tecnologias enquanto ferramentas pessoais potencialmente libertárias para novos modos de existência. Seu impacto se deu tanto movimento ambientalista, ao subverter as tecnologias da Guerra Fria e divulgar pela primeira vez na história uma fotografia da Terra; quanto no desenvolvimento de computadores pessoais e da Internet.

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Rizoma

“Agora está acionada a máquina de conceitos do Rizoma”: Afrofuturismo, recombinação, desbunde, panamérica, mutação, art&fato, câmera-olho, conspirologia, e-spaço, esquizofonia, gibi, intervenção, hierografia, lisergia, neuropolítica, ocultura, potlatch e anarquitextura são as seções as quais o Rizoma.net se dedicou entre 2002 e 2009. Projeto editorial coordenado por Ricardo Rosas, importante figura na contracultura digital brasileira, o Rizoma.net publicou ensaios, entrevistas, poemas e outros textos traduzidos, coletados e transcritos sem as normas rígidas dos direitos autorais. Rosas faleceu em 2007, deixando no site uma grande biblioteca digital organizada postumamente em 19 edições.

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NAVILOUCA

no brasil país sem memória mataborrão das diluições muito se passou/ depois da fenomenal década de 50: nada foi absorvido

Assim lembra Helio Oiticica em um fragmento de Experimentar o Experimental, uma de suas notáveis participações na NAVILOUCA. Também podemos dizer hoje em dia que muito do que foi feito nas décadas de 1960 e 1970 por artistas como Augusto de Campos, Caetano Veloso, Torquato Neto, Waly Salomão, Décio Pignatari, Helena Ignez, Lygia Clark e Haroldo de Campos, ainda não foi absorvido. A navalha continua afiada.

Confira também

Arte Individual – tradução de manifesto de Edith Södergran por Cecília Schuback

Arte Individual

tradução de manifesto de Edith Södergran por Cecília Schuback
 

O nome Edith Södergran deve soar estranho para ouvidos brasileiros. É desconhecido em todos os seus sentidos: tanto por não se saber quem é essa Edith como também pela fonética estranha, bizarra e até engraçada desse nome sueco. Edith, vindo do inglês Eadgyth, significa « guerreiro orgulhoso », enquanto Södergran diz, em sueco, « pinheiro do sul ». A pessoa Edith Södergran não é uma sueca típica, mas representa bem o seu nome. Em sentido poético, foi uma guerreira orgulhosa da taiga, pertencente aos pinheiros do sul: sempre buscando alcançar novos horizontes com as suas frases, palavras e imagens.
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O logos de exu e a criação poética

No processo de transcriação de procedimentos da antropologia para a literatura, não pretendemos nos restringir a uma tipologia de poetas, mas analisar o modus operandi que lhes permite desenvolver diferentes modos de relacionamento com o acervo textual de Exu. É evidente que essa proposta hermenêutica nos induz a pensar no poeta a partir de uma … Continue reading »

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O processo criador – tradução de Cecília Schuback para texto de Asger Jorn

O processo criador

tradução de Asger Jorn por Cecilia Schuback

 

Olhe para a minha imagem e adicione os novos valores, assim como eu adiciono novos valores cada vez que olho para ela. Crie uma nova imagem totalmente sua. Somos todos mais ou menos inibidos, mas o verdadeiro escravo é quem se liga e se acorrenta.

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Edimilson de Almeida Pereira

O logos de exu e a criação poética ” Diante disso, a força dialética inerente ao próprio Exu pode ser considerada como um princípio que anima os vários modos de reapropriação de suas representações. Por conta disso, nada impede que encontremos entre os poetas modos similares no trato com o acervo textual de Exu ou … Continue reading »

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O passado é outro país

“E ontem à noite o último capítulo da novela Avenida Brasil parou o país. Às nove da noite, ruas e avenidas vazias em todo o país. O Brasil parou em frente à televisão.”1 Minha lembrança de Avenida Brasil é que foi a última coisa que uniu o país. Ou, melhor dizendo, foi a última vez … Continue reading »

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breves e mal-desenvolvidas ponderações sobre a questão da maiúscula

escrevo esse texto pensando junto com thadeu e com a polly, e muito por conta do bizarro e triste episódio do ministro da cultura nazista. o thadeu escreveu “cuidado com quem escreve Arte com maiúscula” e a polly colocou um negócio em como tudo nesse governo nazista à brasileira é uma performance de quinta, um … Continue reading »

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Nancy Mangabeira Unger – Ecologia e Espiritualidade

A crise que hoje atravessamos é uma crise de visão de mundo, de civilização. É, portanto, uma crise de sentido, uma crise de caráter espiritual. Entendemos “visão de mundo” como trama de representações, conceitos e valores por cuja mediação os homens tecem sua inserção na vida. E é exatamente essa tessitura, ou esse paradigma que nos dias de hoje, em todos os países e em cada lugar, está como que esgarçada. Continue reading »

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Chopin e Mendelssohn – de Liudmila Petruchévskaia

Chopin e Mendelssohn

Tradução de Sofia Bediaga para conto de Liudmila Petruchévskaia

 

Havia uma mulher que reclamava o tempo todo, toda noite a mesma música através da parede, ou seja, depois do jantar, os vizinhos velhinhos, marido e mulher, pontuais como um trem, chegam ao piano, e a mulher toca a mesma coisa, começava com algo triste e depois uma valsa. Todo dia, churúm-burúm, tatati-tatatá.

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