#26 Edição / poesia

como as mãos ainda úmidas e impregnadas de louça
traçam uma linha caótica na superfície das coisas
imóveis,

ao longe o adesivo de prioridade descolando da parede opaca
do metrô onde empurram como uma onda de carne e ar
que me impede o futuro,

é possível concluir haver mérito em levantar-se,
ainda que seja como um cavalo senil
ainda que seja como um galo puído
ainda que seja como um touro cego solto numa arena vazia

ou

numa mesa presa no canto da sala,
onde é sempre possível embriagar-se de sopa
onde é sempre possível embriagar-se de amor no final do filme
onde é sempre possível embriagar-se de sexo barroco

ou

de uma bomba relógio, um chicote de fogo, o poema

às vezes é possível descer do pódio
e provocar uma tsunami na sopa que ferve
mesmo que esta tenha o gosto insosso e incolor
de um enxame de abelhas sob a luz faca.

Felipe Andrade, janeiro 2016

 

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7 thoughts on “

    • Oi, Ellen! Obrigado pelo comentário e que bom que gostou! Fico feliz 🙂 Olha, não tenho blog (já tive vários e não consigo manter), mas me adiciona lá no Fb. Ando postando algumas coisas por lá. O nome lá é Felipe Andrade. Beijo!

    • Oi, Ellen! Obrigado pelo comentário e que bom q gostou! Fico feliz 🙂 Olha, eu não tenho Blog (na real, tive vários, não consegui manter). Mas me adiciona no Fb, ando postando algumas coisas por lá (Há 3 meses não o cancelo o fb haha). – Ou me mande um email: [email protected]. Abç!

  1. Tem quase um ano que conheço o Felipe, e tem quase um ano que conheço a poesia dele. A sensação, no entanto é de que a poesia dele me conhece há muito mais tempo, tal a precisão, simplicidade e sobretudo beleza (belo porque simples e preciso) com que seus poemas parecem retratar a vida cotidiana mais profunda. Aquela vida da qual somos mais cheios, mas que muitas vezes passa batida. Ver esse poema em uma revista tem um efeito de amplificar sua potência arrebatadora, esse poema que fala de lavar a louça, de pegar o metrô, das coisas esquecidas, esse poema que eu pude ler antes, no pátio da faculdade enquanto as pessoas faziam fila pra almoçar ou corriam atrasadas para as aulas. E talvez só por isso esse poema faz tanto sentido, a sua forma reproduz a vida de verdade.

    • Cara, eu li o seu comentário no ônibus. Fiquei de churumelas. Os óculos ajudam nessas coisas, ainda mais quando no Rio o tempo já chove por fora. Obrigado pelo comentário e por tão belo apoio. To te devendo aquele abraço master!

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