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Mário Novello

O universo em que vivemos é eterno

“O universo não teve um instante único de criação, e sim, teve uma fase anterior colapsante (o universo colapsou), até atingir um raio mínimo, e aí, depois, começou a fase atual de expansão. Quer dizer, o universo se estenderia até o passado infinito, sem nenhum ponto singular que você pudesse identificar como sendo a origem, a menos desse raio mínimo, mas seria um raio mínimo de volume, de totalidade do que a gente chama de espaço e que não se identificaria com um ponto, quer dizer, um ente geométrico.”

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O Programa do Universo Eterno

“A principal questão em jogo na disputa, steady state versus big bang, e que ficara relegada a segundo plano na querela, foi imediatamente abandonada e esquecida. O que realmente estava por trás da discussão e constituía sua razão de ser era a tentativa de responder à questão fundamental: o Universo teve um começo há poucos bilhões de anos ou é eterno? O steady state certamente é um caso muito especial de Universo eterno isento de uma verdadeira dinâmica, posto que sua aparência, segundo essa concepção, seria independente do tempo cósmico. (…) Deveríamos então perguntar: é possível encontrar outro cenário, mais realista que o modelo steady state estacionário e que seja igualmente eterno? A resposta é sim, como veremos.”

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Modos de criação do Universo

“Um Universo eterno, sem singularidade, criado espontaneamente a partir da instabilidade de um longínquo estado do vazio, tendo experimentado uma fase colapsante até atingir seu volume mínimo, e iniciado em seguida um processo de expansão que vivenciamos hoje: essa configuração do cosmo é compatível com o estado atual das observações astronômicas bem como com as teorias físicas existentes — sejam elas de natureza clássica ou quântica. É o Vazio, estado fundamental da matéria e energia sob qualquer forma, que constitui o “estofo primordial” com que se formam não somente o espaço e o tempo, mas a própria matéria, isto é, toda substância do mundo. Essa cosmogonia leva à afirmação de que existir pressupõe como condição imprescindível a instabilidade do Vazio.”