pensamento

Guilherme Vaz

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“Estamos dizendo e afirmando que existem sinais de escrita entre os animais e que os seres denominados “árvores” detêm um tipo de conhecimento desconhecido para o homem. Estamos dizendo em todos os sentidos que todos os seres vivos possuem linguagem e mesmo os minerais a possuem. O que isso significa para a arte? Por que é importante essa posição para a arte praticada pelo homem atual e anterior? Em primeiro lugar, e mais importante, ela combate o antropocentrismo letal presente na cultura e na arte ocidental, onde cegos conduzem cegos por ruas de tráfego. Existem sinais claros de arte em todos os seres vivos, inclusive nos translúcidos. Em segundo, e não menos importante, ela irmana o homem com todo o universo engrandecendo-o pela humilhação de sua arrogância homogênica. Estamos propondo o deslitígio do universo. Estamos propondo a convivência de todas as civilizações do universo, conhecidas ou não.”

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“II. Não sabemos o que somos até hoje porque isso não tem a menor importância, o que nada em mares de esplendor como o Mar Vermelho sabe disso. A arte quando brilha como a pele das grávidas e arfa o ar verde não quer saber quem é. ‘Não pense enquanto você puxa a corda do arco’ – diz o mestre arqueiro. Só pense quando com a flecha no alvo você estiver passeando como os seus amigos sob as alamedas de romãs. Como os brasileiros pensam.”

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“O céu do Império era muito mais luminoso que o céu da República. O Império era do campo e ainda não havia cidades para obliterar o esplendor das galáxias. Nesses arraiais o amanhecer era como a repetição do gênesis da criação. O oxigênio provindo das florestas azulava o ar, arco-íris de refração irrompiam nos ares e toda a criação sussurrava. O homem também sentia seu corpo nascendo e todas as suas faculdades sendo preenchidas vagarosamente como olhos d’água. A plenitude da atmosfera e da criação se esgueirava até o dia. Podemos ouvir claramente as memórias de Gomes, esse estremecimento inexplicável do amanhecer, surdo e arrepiante, nas florestas da América, na ‘alvorada’ totalmente sinfônica e instrumental de O escravo, um dos momentos em que ele toca o cerne da natureza da música. “

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“O som se revelou para mim fora das escolas, de todas as escolas especialmente em momentos que nada, nem ninguém estava presente, somente os seus significados e essências se movimentavam. A escola pede a não escola e o leitor aquele que não lê, e o som pede o quintal, o silêncio natural, para ser compreendido. Uma expressão misteriosa, porque todos temos o quintal dentro de nós, um mundo onde se movem as percepções, dos seres e das coisas, a mata. O maracá é um dos mais simples instrumentos, e o seu som é produzido por sementes, esse é o começo de tudo. A semente. “