#12 Edição/literatura/poesia

Tituimos, o que corre pela rua

Tituimos que corria pela rua. corria sem olhar para os lados esbarrando em moça de carrinho de compras. mas o que há Tituimos? para que tanta correria? sabe, tenho que ver minha esposa. me ligou dizendo que o bebê está quase nascendo. bolsa já estourou e tudo: água para todos os lados, todos os cantos, até debaixo de rodapé! disse isso e se sobressaltou. acelerou a correria. por causa do meu cansaço, não consegui acompanhá-lo. nos dias de antes tinha fôlego, agora já não tenho mais (também não tenho motivo de filho nascendo). fico para trás. apoio a minha mão no ombro de um vendedor de laranjas. olá, como vai? no que me olha desconfiado: bem, e você? recupero meu fôlego e vejo Tituimos atravessando a rua um pouco a frente, sem olhar para os lados. é atropelado por um carro. vou até seu corpo estirado no chão. o que foi? pergunto. ele responde: fui atropelado. tome o meu lugar. está bem! corro como quando antes tinha fôlego. bato em frenesi na porta de sua casa. a mulher grávida e gritante a abre: me olha sem entender. eu falo exasperado, a puxando pelo braço: vamos amor, temos que ir para o hospital. no que ela fica parada, em meio a confusão: vamos amor! estamos sem tempo!

 

José Vianna, novembro 2014

 

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