#2 Edição / poesia

poética do flâneur

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um: rua que se permite ou experiência que transcende a forma clara, o peso liso, os edifícios ascéticos e regrados. motivos: a urbe decreta caos, as dissidências são as ruas, as rugas que, em deferência, proclamam as veredas desconhecidas. dois: os sulcos metropolitanos com maresias sólidas que perpassam os lazeres dominicais, que sugerem outros planos de ação. motivos: contemplar através de outras percepções, outros estados de espírito, entorpecer a carne, envenenar o sangue, cunhar em termos imagéticos o delírio. três: a orla que se insere em premissas matinais, em madrugadas robustas, em árvores gigantes que não escolhem a próxima vítima. motivo: experimentar o contorno poético das praças, das cadeiras, dos bares, se expor em últimas instâncias, recortar as raízes e pendurar na parede. quarto: é tempo.

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Gabriel Gorini, janeiro 2014

 

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